Economia

Com incertezas, confiança e atividade recuam no início do ano

Entre os índices empresariais, a grande virada ocorreu na construção que, depois de seis meses seguidos de alta, a confiança dos empresários caiu em fevereiro. No caso do setor de serviços e do consumidor, a retração ocorreu no mês passado após quatro altas consecutivas. Já no comércio, o sinal de que a euforia estava terminando começou mais cedo: houve queda na confiança dos empresários em janeiro e fevereiro. Só a indústria destoou dos demais, pois o ajuste ocorreu antes, com a greve dos caminhoneiros e a crise argentina.

“Fevereiro foi um mês de calibragem”, diz o superintendente de Estatísticas Públicas da FGV, Aloisio Campelo. Ele explica que a queda nos índices de confiança foi determinada por um ajuste nas expectativas para os próximos meses. Na sua análise, passado o segundo turno das eleições, o aumento das expectativas dos empresários e consumidores foi além do que a economia conseguiu entregar. Talvez, diz, os empresários achassem que seria mais fácil encaminhar as reformas ou teriam outros impulsos para levar a economia à frente.

Para Nicola Tingas, consultor da Acrefi, que reúne as financeiras, houve um “freio de arrumação” nas expectativas provocado pela piora do lado real da economia: a lentidão na recuperação do PIB, as dificuldades na negociação da reforma da Previdência e as trapalhadas do governo. Por outro lado, ele ressalta que, no âmbito financeiro da economia, cujo desempenho da Bolsa procura antecipar as expectativas de longo prazo, o cenário é positivo. Ontem, o Ibovespa fechou acima de 99 mil pontos, após ter atingido marca recorde de 100 mil pontos. “Houve um freio de arrumação em fevereiro, mas o ônibus não perdeu o freio”, diz Tingas.

Campelo também não acredita que a queda que houve na confiança dos empresários e do consumidor seja uma tendência. Mas ele pondera que a calibragem pode continuar este mês.

Montanha russa
Empresários confirmam a oscilação nos negócios, o que tem levado à queda nas expectativas. Mauro Teixeira, sócio-diretor da TPA, incorporadora e construtora, por exemplo, conta que o desempenho da empresa na venda de imóveis num mês é eufórico e no outro é baixo-astral. Após as eleições, outubro e novembro foram muito bons para a companhia, que fatura, em média, R$ 100 milhões por ano. Já em dezembro, as vendas perderam o fôlego e, em janeiro, elas voltaram para nível muito bom. Mas em fevereiro, houve uma freada: a empresa vendeu um quarto das unidades comercializadas em janeiro, mas este mês começou bem.

Diante dessa montanha russa, Teixeira decidiu colocar os novos empreendimentos em banho maria. “A área de novos negócios da empresa está acionada, mas não está pressionada.” A ordem é não acelerar.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26