Cidades

Eduardo Mahon abre o jogo sobre a cultura

Em entrevista ao Circuito Mato Grosso, Eduardo Mahon falou sobre os aspectos culturais de Cuiabá e de Mato Grosso. Carioca da gema, mas cuiabano de coração, Mahon é formado em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), escritor e membro da Academia Mato-Grossense de Letras.

Mahon lembrou que o Circuito Mato Grosso faz parte na transformação do advogado em escritor. Ele, um homem que sempre gostou de ler, da música e da arte, relata que escrevia artigos de opinião aos jornais A Gazeta e o Diário de Cuiabá. “Começaram a me pedir no Circuito um artigo para o jornal impresso, mas o que eu fazia nos outros jornais eram de cinco ou seis parágrafos. Eu mandei nesse formato para o editor e ele me ligou mandando cortar, pois não caberia no espaço, deveriam ser quatro parágrafos”, conta o escritor.

Relatou que se questionava como iria colocar uma ideia jurídica em apenas quatro parágrafos e confessa que chegou a achar a ideia ridícula, mas tentou. Acreditando que não iria funcionar, escreveu um conto e mandou o primeiro, o segundo, o terceiro e assim por diante.

Certo dia, no supermercado, uma senhora o parou e questionou se ele era o escritor do Circuito e disse “Cara, semana passara eu morri de rir com o seu negócio. Eu adorei, parabéns!”. No mesmo dia um amigo também o parabenizou. “Foi a primeira vez que alguém me deu parabéns por algo que eu tinha escrito. Eu percebi que a beleza, a estética da literatura te da um feedback maior e muito melhor. A relação se torna mais agradável”.

Mahon começou publicando um livro com a sua série de contos em nosso jornal e depois produzindo cada vez mais conteúdo. “Eu escrevia alucinadamente”. Após esse momento de lembranças e afirmar que se identifica como escritor, Eduardo Mahon respondeu algumas perguntas da nossa equipe.

Circuito: O que o senhor pode falar do movimento literário em Cuiabá nos últimos anos?

Eduardo Mahon: É fenomenal! Cuiabá flerta com a vanguarda, desde sempre. Cuiabá foi formada por gente de fora. Gente que veio com tendências diretas de grandes centros. Para se formar o cuiabano também saia da região. Ele recebia gente de fora e ia buscar o conhecimento fora daqui. No século XIX para Portugal e século XX preferencialmente Rio e São Paulo. Dali traziam um frescor.

Até a fundação da UFMT em 70, as pessoas saiam de Cuiabá. Esses influxos, que vou chamar de monções culturais, fez com que Cuiabá se transformasse com os anos. Chegou a um momento, agora na modernidade, que Cuiabá começou a produzir uma resistência ao fluxo excessivo. Nós lutamos para dar uma identidade nova a Cuiabá ao mesmo tempo inserida no contexto nacional, digo isso sobre a literatura, mas resistente de posse das suas próprias características. Isso é difícil! Nós queremos falar de Cuiabá para o Brasil inteiro. O que acontece na literatura hoje é uma tentativa de falar de Cuiabá para o Brasil inteiro.

Circuito: Tem surgido novos escritores na região?

Mahon: Claro! Cuiabá tem vários poréns, mas em termos culturais isso aqui é um ninho. Ao passo que nós temos um João Antônio Neto, aos 100 anos de idade, que participou dos movimentos modernistas em Mato Grosso e está vivo, nós temos o Lucas Rodrigues, com 23 anos, Matheus Barreto, com 25 anos, e muitos outros. É toda uma geração que também está dialogando com outras gerações

Em centros maiores as gerações conversam muito pouco, como Cuiabá é pequena, está todo mundo falando com todo mundo. Cuiabá, em termos de literatura, o que está acontecendo de novo, é uma das cidades mais interessantes do Brasil. Esse fenômeno não está acontecendo em São Paulo, Porto Alegre ou Rio de Janeiro. O que é esse fenômeno? Eu não sei.

Circuito: Qual é o perfil desse pessoal que está chegando?

Mahon: É um perfil contemporâneo, alguns chamam de pós-modernidade. A pós-modernidade tem algumas características comuns que é a fuga do centro, é o encontro das margens, assuntos marginais, a incerteza no lugar da certeza, a intuição no lugar da ciência, o fluido no lugar do sólido. Então, o compromisso desse pessoal novo não é um compromisso manifesto, não escrevemos mais manifestos, não é um compromisso cientificamente apreciável, mas é um compromisso estético. O desencanto, o ceticismo, desconfiança é uma característica comum, mas a mais importante é a paródia. A possibilidade de conversar com o clássico, parodiando o clássico. Não uma imitação vulgar, mas um novo formato, uma nova proposta.  Por exemplo, Miguel de Cervantes fez uma paródia quando escreveu Dom Quixote. Ele estava exercendo todo o humor dele para criticar a literatura cavalheiresca. É uma forma de diálogo com o clássico, mas repensando o final, o método, a estética. Nós estamos mais conscientes do nosso tempo

Circuito: Qual é o papel da Academia Mato-Grossense de Letras nesse movimento em Cuiabá?

Mahon: Eu diria Casa Barão de Melgaço, não falaria Academia de Letras. A Casa Barão de Melgaço é de um lado abrigo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, que vai fazer cem anos, e foi fundado depois a Academia de Letras. A união dessas duas instituições forma a Casa Barão de Melgaço. O Instituto Histórico é inclinado mais à historia, geografia, estudos de memorias.  A academia, na minha visão, deve ser mais inclinada para a literatura. Do meu ponto de vista, o papel da Casa Barão é ser um pivô, um centro, de fomento de discussão sobre a própria Cuiabá.

A academia e o instituto histórico tem que cuidar do novo, ser uma incubadora para gente jovem. Talvez seja uma visão minoritária, uma visão minha. O grau de vanguarda que eu quero, acho que é muito maior do que qualquer conservadorismo. É como diz a música do Belchior, “Como nossos pais”, ainda que sejamos como nossos pais, o novo sempre vem. Não adianta ser conservador, uma hora você será ultrapassado. O papel da Casa Barão, a meu ver, é ser uma incubadora de projetos novos, de novos talentos.

Circuito: Ao mesmo tempo em que temos novos escritores surgindo o povo brasileiro tem lido muito pouco, de acordo com as pesquisas. As escolas e universidades têm cumprido seu papel?

Mahon: Não! A universidade, do meu ponto de vista, se cristalizou em uma endogamia. A Universidade Federal para ela mesmo.  A UFMT cresceu demais e é pouco solidária e interessada no que esta acontecendo dentro dela mesma. Absolutamente encastelada no Coxipó, parece que é a Universidade Federal do Coxipó. Ela demorou anos para estender um campus em outra cidade. Como ela dialoga com a sociedade? Os lançamentos de livros da UFMT são para 30 pessoas. Os eventos mais sofisticados lá dentro são para 20 pessoas, com raras exceções como a orquestra. A cultura ali é muito distante.

A Unemat faz um grande papel de integradora. A Unemat esta fazendo uma revolução educacional no interior. Nós estamos formando bondes literários, colocando autores dentro de um carro e indo aos vários campus da Unemat fazer lançamento de livro. Dentro do Instituto de Letras da Federal quando lança livros são 30, 40 pessoas. Quando o lançamento de um livro é em uma cidade do interior, o diretor de letras cancela as aulas e temos um público de 400 pessoas. Eles prestigiam o autor, eles sabem que aquele evento é mais importante que uma aula. A Unemat está sendo nosso porto seguro para escritores.

Eu quero que todo mundo valorize o que fazemos aqui, esse é o apelo de todo escritor. As coisas que são produzidas aqui são de altíssima qualidade. O cuiabano precisa voltar ao antigo hábito do século XVIII, garimpar. Se garimpar eles nos encontram e nós queremos se encontrados.

Circuito: Ainda falando da cultura, mas saindo dessa parte literária, percebemos que no folclore, na cultura típica, poucos grupos se destacam e são conhecidos. O que o senhor pode falar sobre isso?

Mahon: Eu acho que na música os artistas sofrem mais do que na literatura. Na música e no cinema, pois são mais difíceis. Nós temos pessoas que tem posições de comando como prefeito e governador que não nos valorizam.  E que se não nos valorizam, não se valorizam também.

O folclore é um museu. O folclore é a cristalização da cultura. A cultura é um ser vivo, folclore é um ser vivo, mas um recife de coral, duro. As músicas tradicionais o jeito de dançar já é definido, a cristalização cultural. A cultura é viva, ela respira. Em 2008 o lambadão estava de um jeito, em 2013 era outro e 2018 outro. O funk muda. O rasqueado pode ser que não mude tanto. Tudo que se cristaliza não será executado de outra forma, por isso se chama folclore. Eu prefiro o novo da cultura. O folclore são as costelas, a cultura é o coração que bate. Hot brunette teen Vlada gets her ass stretched Hot Ebony Riding Dildo Sexy nurse pleases her pussy with her panties Fucking Hot Mila Blaze and Her Sexy Voice Is Sure To Make You Hard Sexy nurse treats horny patient White guy is sticking his cock inside a black babe teen fucks big black dildo cums hard Watch the best porn videos available on the internet https://www.pornjk.com/tags/thumbzilla/ Blowjob Stella Cox getting BBC Anal Gloryhole Karma Rx gets assfucked by Markus Dupree Gia Steel and her gf rides cock one after another Pornjk.com – XXX Video HD, XXX HD Porn Tube, Pornjk Porn, Hot HD Video, Free XXX Pornjk Porn Videos

Circuito: O que o senhor acredita que falta para que a cultura local seja expandida e chegue ao conhecimento do próprio povo, país e quem sabe o exterior?

Mahon: Governo! O que nos vivemos nos últimos anos foi o maior pauperismo cultural da história de Mato Grosso. Foi o maior desamparo cultural da história de Mato Grosso. Não houve nenhum outro governo, na República nova, a partir de 1988, que foi tão ruim quanto esse. O gestor entendeu por bem que o cuidado com os aparelhos culturais e com a cultura em geral deveria ser terceirizado para empresas. Isso é fatal para a cultura! “Senhores, está aberta a licitação, aberta a concorrência, apresente seus projetos culturais. Estamos aqui para paga-los”, é o que eles falam.

As secretarias de cultura estão terceirizando aquilo que é responsabilidade delas. Como política pública é necessário lançar uma coleção literária. Política publica é a secretaria fazendo. O que ela faz agora? Quem que lançar um livro inscreva-se, vamos montar avaliadores, etc. Então terceirizou e isso é fatal para a cultura. Um empresário da cultura quer lucro, ele não vai pagar 10 mil ao artista.

Nós somos um povo pobre financeiramente, somos pobres culturalmente. Falta política pública. A cultura não é um gênero essencial na visão do governante. É um desvalor completo, por isso estamos assim.

Circuito: No audiovisual, o cinema brasileiro tem crescido e de dentro da UFMT têm surgido cada vez mais produtos. Você tem acompanhado? Tem alguma opinião?

Mahon: Tenho! Lá tem o Maual que é fenomenal! Nós temos grandes diretores aqui em Mato Grosso. Temos o cuidadosíssimo Bruno Bin, o conceitual Luiz Marchetti para o lado do experimentalismo e outros. Nós temos potencial! O grande problema é que a gente não se descobre. O shopping não passa o filme produzido aqui. Não passa o filme que o Bruno está fazendo com o Bruno Gagliasso, que é um filme nacional em parceria com a Globo Filmes. Eu não sei se cuiabano não gosta de cuiabano, mas eu acho que governante não gosta de cuiabano. Os governantes preferem algo de fora. O Blairo Maggi passava as férias em Florianópolis. E eu já vi prefeito da capital viajar no dia 8 de abril.

Eduardo Mahon também comentou sobre as artes cénicas em Mato Grosso, relembrando que uma peça em Cuiabá foi a primeira do país a receber uma critica. Ele defende que existem muitos produtores, muita gente fazendo seu trabalho artístico, mas sem condições de incentivar financeiramente, para obter um retorno e reconhecimento. “O teatro mato-grossense tem uma larga tradição”, relatou o escritor.

“Esculhambam com a lei Rouanet com e sem razão. O artista virou mendigo. Em Mato Grosso muita gente está desaparecida. Os artistas estão mais desaparecidos que o mico leão dourado”, finalizou.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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