Cidades

Margarete Xavier, a ‘rainha do samba’ e sua paixão pela cultura regional

“Eu posso falar que tenho 44 anos de samba!", conta Margarete Xavier, filha da cantora Flor Morena, dançarina, locutora, cantora e atiivista na luta em manter a cultura local viva entre seu povo. Ela, que neste domingo (11) comemora 45 anos, é produtora cultural e há 18 anos a é conhecida em Cuiabá como a rainha do samba.

“Mas, Margarete, como assim você tem 44 anos de samba? É porque eu já dançava na barriga da minha mãe e com oito meses de vida eu estava lá nos desfiles mexendo os bracinhos e perninhas”, conta com um sorriso no rosto. Ela relata ter crescido em meio ao samba e conforme ia ficando mais velha participava dos desfiles no chão. Ela era princesa e o seu irmão o príncipe.

Dona de uma personalidade marcante, mesmo sendo amante do samba, ela se envolve com todo o tipo de cultura, principalmente as que pertencem ao território mato-grossense. Seu trabalho é com indígenas, ciganos, afro, rasqueado, siriri e muitos outros. “A gente está sempre buscando, sempre trabalhado com a cultura regional. Eu sou a rainha do samba, mas quando chega na nossa própria cultura, o rasqueado, por exemplo, aí não tem para ninguém”.

Margarete Xavier é presença constante em eventos culturais. Acima, em A Casa do Parque, reduto cultural já tradicional de Cuiabá.

A paixão pela arte e cultura não nasceu com ela, mas pelo menos desde a sua avó materna isso corre em suas veias. Sua mãe é cantora, seu irmão capoeirista, seu filho é drag queen e já foi rainha gay do carnaval. Seu outro filho não se envolve muito na dança, ele é “um leonino recluso”, de acordo com a mãe.

Margarete ama dançar e as suas roupas são inspiradas na cultura cigana, pois apesar de não ter descendência, relata ser cigana de alma. Ela se veste no dia a dia e em suas apresentações com longas saias, vestimentas estas que são em sua maioria desenhadas por ela mesma. “As pessoas me querem nas apresentações da mesma forma que elas me veem na rua”.

“Já teve gente que veio dos Estados Unidos me conhecer. Eu gosto da música, gosto da dança”. Margarete Xavier conta ter intimidade com o microfone também e já trabalhou inclusive  em rádio evangélica, mas sempre levando cantores e bandas que remetessem à arte local e “fazia a maior bagunça no estúdio”, como diz.

Sempre com o alto astral lá no alto, declara que é uma interprete na dança, porém não tem passos marcados, ela interpreta o que ouve e sente. Como em um show de Beth Carvalho, em que ela dançou, e ao chegar no camarim foi reverenciada por uma das pessoas da banda. “O músico disse: ‘Eu já toquei muito por esse Brasil e fora dele, mas nunca encontrei ninguém para interpretar o samba como encontrei em Cuiabá’ e beijou a minha mão”, conta com um largo sorriso nos lábios.

Na lavagem das escadarias da Igreja do Rosário e São Benedito, que reúne pessoas de várias religiões em busca da paz entre os povos.

Margarete vive dos eventos que produz e participa, de segunda a segunda-feira, mas permanece na luta pelo reconhecimento da arte e identidade cultural mato-grossense. Se mobiliza vai nas escolas falar de cultura, das danças, músicas, dialeto, cantores e compositores vivos e os falecidos. “É para ninguém ter vergonha da sua identidade, não ter vergonha do que você é! Existe muita falta de informação, mas o que é uma pessoa sem o passado?”.

Conta que prefere não se envolver com o serviço público, por exemplo. Dessa forma ela tem liberdade em lutar e brigar pelo que acredita. Não fazendo parte de alguma pasta, como a Secretaria de Cultura, lhe dá mais força e voz para defender o que ama. “Depois da minha família, o mais importante para mim é a minha cultura”.

“Eu faço o que eu gosto e sou feliz assim. Eu trabalho com a autoestima, com a identidade das pessoas e eu acredito, tenho fé, que um dia alguém vai reconhecer isso”, desabafa.

Margarete declara que ama viver a vida. “Eu vivo o hoje como se fosse o último dia”, diz ao se lembrar de um acidente que aconteceu há 23 anos, quando seu filho mais velho era recém-nascido. “Foi um acidente de carro, só sobrou o motor dele. Eu estava amamentando na hora e eu só pensei em esconder as pernas dele, com medo de quebrar, e o protegi, mas após a batida eu só conseguia pensar ‘Meu Deus! Se eu perder as pernas, eu nunca mais vou poder dançar’”, felizmente nada de grave aconteceu.

Atualmente casada com o produtor cultural Gastão Veríssimo, suas roupas a caracterizam muito, além do sorriso. Ela demonstra muita felicidade e esperança na valorização da cultura, mas o mais importante para ela é dançar. “Dançar para mim é como o ar, eu não conseguiria viver sem a dança”.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.