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Arquiteto e delator da Sodoma discute e derruba materiais de agente do CAU/MT; veja vídeos

Delator pela segunda fase da Operação Sodoma, o arquiteto José da Costa Marques é denunciado por agressão contra fiscal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU/MT). Em um vídeo, Costa Marques aparece discutindo e derrubando materiais do agente de fiscalização Wallace Fonseca Ferreira Leite. 

O Circuito Mato Grosso recebeu vídeos com a agressão ao agente que apurava uma denúncia sobre suposta irregularidade em uma reforma na futura sede da própria autarquia. Costa Marques também é conselheiro no órgão. A redação entrou em contato com a assessoria para buscar uma posição da autarquia e do conselheiro em questão, mas até a publicação desta matéria não obtivemos retorno na demanda.

José da Costa Marques ainda responde a processos por supostas participações em esquemas de corrupção. Ele chegou a firmar acordos de delação premiada que permitiram a deflagração da segunda fase da Operação Sodoma em 2016, que desvendou um desvio de recursos público no governo de Silval Barbosa por meio da concessão de incentivos fiscais e pagamento de propina.

Já Wallace é agente de fiscalização no CAU/MT. Antes de qualquer projeto arquitetônico, os Conselhos de Arquitetura pelo país exigem que os seus profissionais registrem uma futura obra. É o que eles chama de RRT – Registro de Responsabilidade Técnica, que "é o documento que comprova que serviços técnicos de Arquitetura e Urbanismo possuem um responsável devidamente habilitado e com situação regular perante o Conselho para realizar tais atividades".

Nos dois vídeos, é possível perceber o momento em que José (de camiseta preta e óculos escuros) derruba os materiais da mão do agente Wallace (de camiseta vermelha). As pessoas envoltas ficam assustadas com a discussão e passam a acompanhar o ocorrido.

Segundo o relato da vítima, ele recebeu uma denúncia sobre supostas irregularidades em uma obra para a futura sede do CAU/MT. As reformas para o Conselho teriam iniciado antes mesmo da emissão de documentos, alvarás da Prefeitura e até mesmo de papéis que são exigidos pelo próprio Conselho. O imóvel ocupa todo um andar do edifício Xingu Businnes, localizado na Avenida São Sebastião, em Cuiabá.

A sua entrada do edifício e a fiscalização no imóvel não foram barrados e tudo seguiu de forma tranquila. Ao terminar o trabalho de apuração na futura sede do conselho, ele desceu pelo elevador e foi conversar com o porteiro. Enquanto conversava com o funcionário do edifício, o conselheiro José chegava pelo saguão.

Ele cumprimentou o trabalhador e, em seguida, perguntou rispidamente ao agente do conselho – "o que você está fazendo aqui? Encontrou alguma coisa errada lá?". O agente prefiriu não prestar informações.

O conselheiro reagiu então furiosamente e golpeou os materais que ele carregava – uma prancheta com formularios e um tablet. O conselheiro então se afastou e foi conversar com a recepção. O agente buscou fazer registros fotográficos com seu celular do ocorrido, enquanto o porteiro recolhia os objetos caídos no chão.

Instantes depois, ele voltou e derrubou o celular do agente no chão e se afastou outra vez. Enquanto Wallace pegava o aparelho caído, ele retornou e derrubou o telefone com um golpe ainda mais forte. O objeto chegou a cair a alguns metros da distância.

Entre os comentários ditos ao agente e que ficaram na sua mente momentos depois, o conselheiro teria dito "“O que você veio fazer aqui?”, “Vc encontrou algo de errado lá (na obra)”, “Não era pra vc estar aqui” “Vagabundo”, “Você não sabe que eu sou o responsável por essa obra?” e “Estou trabalhando de graça pro CAU aqui”.

"[Me] vi exposto numa situação humilhante em que foram proferidos vários xingamento", disse. Ele registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. Em sessão plenária dos conselheiros na manhã deste sábado (28), funcionários do CAU irão fazer um ato em apoio ao colega. Ele informou também que os documentos foram emitidos após a denúncia ser de conhecimento.

Redação

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