Jurídico

Gallo diz que ‘estouro da folha’ apontado por TCE depende da base de cálculo

Um dos principais pontos de observação levantados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) ao emitir parecer favorável pela aprovação das Contas do Executivo referentes a 2017 foi a representatividade da folha de pagamento de pessoal do governo. O secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, no entanto, afirmou que o entendimento depende da base de cálculo utilizada.

Durante a votação das contas, o conselheiro relator, o interino João Batista Camargo, considerou o gasto com pessoal "explosivo". “O crescimento das despesas com pessoal nos últimos anos, senhores conselheiros, é explosivo. Nós vimos os números e, disparado, Mato Grosso é o estado com maior crescimento real com despesas de pessoal”, disse.  O conselheiro chamou a atenção para o fato de o governo ter excedido o limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de que gastos com pessoal devem representar até 49% das despesas do Executivo.

Para o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, no entanto, a “extrapolação” do limite seria relativo à base de cálculo utilizada. Em 2015, o governo entrou com pedido para que se retirasse do cálculo os valores com imposto de renda. Dessa forma, o estado não ultrapassou o limite. Acontece, porém, que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) não compactuou com o entendimento. Assim, as contribuições poderiam voltar a serem consideradas.

A medida, ponderou Gallo, é preocupante, uma vez que prejudicaria a situação do governo. “Se fizer isso, o nosso gasto passará a 52%, que é acima dos 49% que são previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, e, consequentemente, temos sanções a serem aplicadas na área de pessoal”, complementou. O secretário defendeu que a Corte não reavalie a medida. “Se adotarmos o entendimento anterior, nosso índice ficaria algo em torno de 47% ou 48% abaixo dos 49%”, finalizou.

Camargo chegou a fazer apontamentos que poderiam resultar na diminuição do gasto: a demissão de 20% dos comissionados e a exoneração dos servidores concursados não-estáveis. Inicialmente, o secretário de Fazenda chegou a considerar a medida para os servidores de carreira, uma vez que os comissionados representam menos de 2% do gasto com funcionários.

“O conselheiro já fez um apontamento dizendo que os gastos de pessoal decorrente de aumentos reais, dados no passado, e também da RGA fizeram com que a massa salarial de Mato Grosso tivesse o maior crescimento em todos os entes da federação. Então isso implica, de fato, numa preocupação que, num ponto de vista da política fiscal e do equilíbrio, cresceu mais do que a receita”, avaliou o secretário. No entanto, nesta quarta-feira (19), tanto o governador Pedro Taques (PSDB) quanto o novo chefe da Casa Civil, Ciro Rodolpho, negaram a possibilidade.

Atualmente, a questão quanto ao limite permitido de comprometimento dos recursos para despesa com pessoal resultou em um entrave na Corte de Contas, que suspendeu o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores, cuja última parcela seria paga em setembro deste ano. O governo chegou a recorrer, mas teve pedido negado no Tribunal de Contas.

Leia mais

{relacionadas}

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.