Cidades

Centros de Treinamentos para a Copa de 2014 estão inacabados e esquecidos

Focos de Aedes aegypti, entulhos de obra, cadeiras destruídas, grama alta, entre outros sinais de abandono, são evidentes no Centro Oficial de Treinamento (COT) Barra do Pari e no Centro Oficial de Treinamento da Universidade Federal de Mato Grosso (COT da UFMT). As duas obras são exemplos de como desperdiçar o dinheiro público, porém apenas o COT UFMT é alvo de ações do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o COT do Pari, que tem apenas 70% da obra executada, segue abandonado e sem ser notado pelas autoridades.

COT UFMT 

Os dois locais foram feitos para a preparação das oito seleções que fizeram os jogos da Copa do Mundo Fifa 2014 em Cuiabá, porém nenhuma das obras está concluída.

Ambos tiveram obras iniciadas em 2013 e eram para estar prontas para antes da Copa do Mundo em 2014. Quatro anos se passaram, outra Copa está perto de começar, a que será disputada em 2018 na Rússia.

Segundo a Secretaria de Estado de Cidades (Secid), as obras dos dois COTs custam cerca de R$ 49 milhões, sendo que o COT do Pari está orçado atualmente em R$ 31, 7 milhões e o COT da UFMT a R$ 17,2 milhões. A secretaria ainda disse à reportagem que todo dinheiro já foi repassado para a empresa Engeglobal, que é responsável pelas obras.

A reportagem tentou contato com a Engeglobal, porém não obtivemos resposta. A empresa pertence ao empresário Robério Garcia, pai do deputado federal Fabio Garcia (PSB-MT) e filho do ex-governador de Mato Grosso José Garcia Neto.

O Circuito Mato Grosso foi até os dois centros de treinamento para ver in loco a situação das obras.  

VALOR DAS OBRAS

COT UFMT – R$ 17.256.568,91

COT DO PARI – R$ 31.760.080,48

TOTAL: R$ 49.016.649,39

Os centros de treinamento parecem depósitos. Muitos materiais de construção guardados, como cal, cimento, pallet, telas de isolamento para todos os lados, baldes, fios elétricos, entre outros materiais, estão espalhados em alguns compartimentos cobertos. Os moradores vizinhos denunciam que parte do material foi roubada do local.

COT do Pari 

Obras do COT do Pari não ficarão prontas nem na Copa de 2018

O COT Rubens dos Santos, popularmente conhecido como COT Barra do Pari, terá as obras retomadas em 2018, conforme a Secid. O atraso na obra, que já consumiu de R$ 26,8 milhões, ainda não foi notado pelas autoridades como o Ministério Público do Estado e o Tribunal de Contas do Estado. O secretário de Cidades, Wilson Santos (PSDB), chegou a pedir em fevereiro ao TCE que incluísse a obra do COT do Pari nos Termos de Ajustamento de Gestão (TAGs), porém o pedido não foi atendido.   

Conforme a assessoria, para que o projeto tenha continuidade no ano que vem, está sendo realizado um ensaio no local do que a obra tem hoje e o que foi retirado. A Engeglobal, responsável pela obra, retirou alguns dos materiais para evitar furtos, o que já aconteceu em algumas ocasiões.

Em 2013, a obra de R$ 25,5 milhões teve o valor do contrato aditado em R$ 1,3 milhão, elevando o custo para R$ 26,8 milhões. Quase três anos depois, o projeto passou a valer R$ 31,7 milhões, segundo informações dadas em 2015 pela Secopa, devido aos aditivos concedidos ao Consórcio do Pari.

O COT do Pari representa um completo abandono, abrigando apenas os pássaros quero-queros. A estrutura coberta da arquibancada foi retirada e está exposta na frente do local. Nos vestiários, as pias estão quebradas e os vasos sanitários foram retirados. 

Nos acessos para as arquibancadas há várias infiltrações e no teto, muito mofo.  Nas poças de água que se formam no chão do prédio há focos de mosquitos Aedes aegypti. Nos banheiros destinados aos torcedores também podem ser percebidos focos do mosquito.

O gramado está alto, mas ainda dá para ver algumas marcações do campo que se perde a cada dia. Um dos refletores já está quase sem lâmpada. O matagal toma conta ao redor de toda a estrutura.

COT UFMT

Promessa de entrega do Centro de Treinamento da UFMT em dezembro

Apesar de não haver sinal de obras avançadas no local, o COT Professor João Batista Jaudy (COT UFMT), será entregue em dezembro. A afirmação é da Secid. A obra está orçada em R$ 17, 2 milhões. Todo o dinheiro já foi repassado à empresa Engeglobal.

O COT UFMT começou a ser construído há quatro anos, em março de 2013, e deveria ter sido entregue antes da Copa de 2014. O local era um movimentado ponto para a população realizar exercícios diários como caminhada, corridas e jogos. Porém desde o início da obra, apenas tapumes são vistos no local onde deveria já existir uma construção de 5,4 mil metros quadrados. Até as calçadas estão fechadas à população.

As promessas de estrutura no COT UFMT são grandiosas. Com capacidade para 1,5 mil torcedores, campo de futebol, além de instalação das estruturas de arquitetura, fundações, terraplanagem, drenagem, pavimentação, estrutura metálica, instalações hidrossanitárias, elétricas, telecomunicações, luminotécnica, climatização e ventilação, prevenção e combate a incêndio, paisagismo, gramado e comunicação visual.

Conforme a Secid, 90% da obra estão concluídos, por isto será a prioridade para ser completada, ainda em 2017, apesar das chuvas que já começaram. Foi o único local que recebeu um treino das equipes que disputaram os jogos. Em 2014 as seleções da Nigéria e Coreia do Sul chegaram a usar o local como base.  

Nossa reportagem foi ao local e constatou o abandono do COT, apesar das afirmações da Secid. A grama está alta, uma boa parte com areia e o sistema de drenagem entupido. Também há focos de mosquito Aedes aegypti no local.

COT da UFMT foi negado nos Jogos Universitários Brasileiros (Jubs)

Além de inacessível à população, o COT UFMT não pôde sediar os Jogos Universitários Brasileiros (Jubs 2016). Segundo o TCE, as provas de atletismo, que deveriam ser realizadas no local, foram tiradas do programa.

O local iria sediar os jogos de atletismo e futebol, porém estava com a estrutura inapta. A pista até hoje não foi concluída.

COT do Pari 

Segundo a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para concluir a pista de atletismo é necessária a finalização da construção da base de concreto, de responsabilidade da Secid. Os recursos da compra da pista foram repassados através do Ministério dos Esportes e já foram depositados na conta da universidade. A pista emborrachada veio da Itália e custou U$$ 1,4 milhões, o equivalente a R$ 5,6 milhões.

Conforme a assessoria, a pista é a mesma usada no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, que foi sede do atletismo dos Jogos Olímpicos 2016. A pista terá 400 metros de comprimento e com oito raios, como determina a Confederação Brasileira de Atletismo. Cem metros dela serão dedicados a modalidades como salto com vara, lançamento de peso, dardo e salto em altura. 

Irregularidades foram denunciadas pelo MPF

O MPF instaurou um inquérito civil para investigar o atraso nas obras do COT UFMT. A Secid foi notificada para que, apresentasse informações atualizadas sobre o andamento das obras, que é tocada pelo Consórcio Campus Universitário, também liderado pela Engeglobal.  O documento foi assinado pela procuradora Bianca Britto de Araújo, no dia 26 de fevereiro de 2016.

O objetivo do MPF era o de analisar como está sendo executada a obra, bem como a qualidade dela. O órgão do Judiciário já apurava a situação, tanto é que o inquérito é fruto de um procedimento preparatório que já se arrastava desde 2014.

Para a procuradora, ficou clara a “necessidade de maiores informações acerca dos fatos, permitindo uma atuação ministerial prudente em defesa dos interesses indisponíveis”. A obra está bem avançada se comparada à do COT Barra do Pari, onde desde o ano passado não se vê movimentação de obras. 

Foi apontado ainda que há irregularidades fiscal e trabalhistas. “Até o momento a comprovação necessária não foi apresentada ao Estado, situação que impede o pagamento de valores passivos e de medições futuras”.

COT do Pari

COT do Pari não está incluído nos TAGs entre TCE e Estado

O COT jornalista Rubens dos Santos (COT do Pari) não está incluso nos 22 Termos de TAGs do TCE-MT. O pedido foi feito pessoalmente pelo titular da Secid, Wilson Santos, durante a reunião feita no dia 15 de fevereiro deste ano.

Santos expôs ao então presidente conselheiro do TCE, Antonio Joaquim, o desejo da Secid-MT de retomar as obras de reestruturação do COT do Pari, em Várzea Grande, porém não foi incluso.

Foram assinados 22 TAGs foram firmados pelo governo do Estado, entre obras inclusas nestes TAGs é o COT da UFMT, que está na fase de elaboração do relatório para ser julgado pelo pleno; o termo foi assinado no valor de R$ 3,5 milhões.

Segundo o TCE, o TAG firmado para a obra do COT da UFMT está em fase de elaboração do relatório para o julgamento do pleno.  

Nota da UFMT

Segundo a assessoria da UFMT, o vice-reitor, professor Evandro Soares, reuniu-se na tarde do dia 28/11, com o secretário Wilson Santos. Na reunião, que aconteceu na Secid, o vice-reitor falou sobre a preocupação com a demora da conclusão do contra piso para instalação da pista de atletismo, prevista para chegar a Cuiabá no início de dezembro. “A universidade cumpriu, com responsabilidade, a importação da pista, mas precisamos que o governo do Estado cumpra com a sua parte e finalize a estrutura necessária para a instalação da borracha da pista, em tempo necessário para que a pista não perca garantia de instalação”, explicou Evandro Soares.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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