Violência doméstica, assédio nas ruas ou no trabalho, violência de uma indústria que dita padrões e regras a seguir. A violência contra mulher se manifesta de diversas formas e esses casos devem ser denunciados.
Em 2016, Mato Grosso registrou 43.804 mil ocorrências envolvendo vítimas femininas de 18 a 59 anos. Quase 50% a mais que em 2014, que foram 29.229 mil casos. Em 2015 foram 34.720 mil. Em relação às vítimas menores de 18 anos, em 2016, foram 10.645 mil ocorrências registradas no Estado. Em 2015 foram 8.493 mil casos e 7.451 casos em 2014.
Ao contrario do que se pensa ao analisar os registros, os órgãos competentes não acreditam que tenha havido um aumento real, e sim um aumento de denúncias. Em segurança pública esses dado são chamamos de “cifra negra”.
No caso de Estupro, a defensora pública do Núcleo de Defesa da Mulher, Rosana Leite Antunes de Barros, acredita que apenas 10% dos casos são notificados às autoridades.
“O estupro é o delito mais subnotificado do País. Quando nós ouvimos falar que 10 mulheres sofreram violência sexual em um mês, podemos multiplicar isso por 10. Apenas 10% dos crimes de delito sexual chegam aos ouvidos das autoridades”, afirma a defensora em entrevista recente ao Circuito Mato Grosso.
Para dar apoio as mulheres que sofrem de violência, e estimular outras a denunciar, o Governo do Estado, por meio Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), criou o programa “Exército de Marias da Penha”. O projeto visa chamar voluntárias e voluntários que irão orientar, aconselhar e amparar mulheres vítimas de abusos e violência.
Exército de Marias da Penha
O projeto pretende combater os casos de violência no Estado a partir da formação de um “exército” de voluntários, que serão capacitados e disseminarão em suas comunidades informações acerca dos tipos mais comuns de violência contra a mulher, fatores relacionados às ocorrências e detalhes da Lei n° 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha.
A meta do projeto é reunir dez mil voluntários em 43 municípios onde ele será implantado inicialmente. “Começaremos pelos locais que apresentam maior vulnerabilidade no que se refere à violência contra a mulher, mas queremos alcançar o maior número de pessoas possível, chegando até os 141 municípios mato-grossenses”, frisou a idealizadora do projeto e superintendente de Políticas para as Mulheres de Mato Grosso, Isabel Silveira.
A capacitação dos voluntários será realizada em três etapas, por meio de 21 videoaulas. A primeira etapa orientará os voluntários a disseminar as informações em escolas e unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
A segunda etapa irá prepará-los para abordar mulheres vítimas de violência nas comunidades urbanas e rurais e a terceira etapa, para ministrar palestras para homens em canteiros de obras, postos de gasolina, lavouras, entre outros lugares.
A primeira vídeo aula, é ministrada pela juíza, Ana Cristina Mendes, da 10ª Vara Criminal e da 1ª Vara da Violência Doméstica. Segundo a magistrada, muitas mulheres acreditam ser culpadas pela agressão que sofreram.
“Essas mulheres geralmente apresentam baixa auto-estima e são dependentes financeiramente e emocionalmente de seus parceiros. Elas acreditam que não merecem ser felizes ou que só conseguirão ser felizes ao lado deles”.
Serviço
Podem participar como voluntários, mulheres e homens, com idades acima de 16 anos, sendo que estes serão envolvidos no projeto através do Programa “Eles por Elas”, da Organização das Nações Unidas (ONU). Para se inscrever, basta enviar um e-mail para isabelsilveira@sejudh.mt.gov.br ou ligar no telefone, que também é whatsApp (65) 99987-5303.



