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Vereadoras de VG votam contra denúncia por fala misógina

A política de Várzea Grande, frequentemente marcada por episódios que desafiam a lógica da ética pública, registrou nesta terça-feira (31 de março de 2026) um capítulo que promete acalorar o debate sobre a sororidade no poder. Durante a sessão ordinária, a Câmara Municipal votou a abertura de uma denúncia contra seu próprio presidente, Wanderley Cerqueira (MDB), por uma declaração considerada misógina dirigida à prefeita Flávia Moretti (PL).

O Episódio do ‘Leitear’

A denúncia fundamentava-se no uso do termo “leitear”, uma expressão carregada de conotações pejorativas e objetificantes, utilizada pelo parlamentar em contexto público para desqualificar a gestora municipal. O termo foi amplamente criticado por movimentos sociais e especialistas em direito eleitoral como um exemplo clássico de violência política de gênero, que visa deslegitimar a autoridade de uma mulher através de termos sexistas.

O Voto Feminino e a Rejeição

O ponto de maior estranheza e crítica recaiu sobre o posicionamento das únicas três representantes femininas no Legislativo várzea-grandense:

VereadoraPartidoVoto
Gisa BarrosUnião BrasilContra a Denúncia
Rosy PradoUnião BrasilContra a Denúncia
Lucélia OliveiraAGIRContra a Denúncia

Ao contrário do que se esperava em um cenário de apoio mútuo entre mulheres, as três parlamentares votaram pela rejeição da denúncia. A decisão evitou que Wanderley Cerqueira enfrentasse uma comissão processante que poderia, em última instância, levar ao seu afastamento ou cassação.

Pragmatismo Político vs. Ética de Gênero

Nos bastidores, a leitura é de que a lealdade ao grupo político e a manutenção de espaços na mesa diretora pesaram mais do que a pauta da dignidade feminina. O arquivamento da denúncia sinaliza que, no ecossistema político de Várzea Grande, o machismo institucionalizado ainda encontra abrigo mesmo entre aquelas que seriam as principais interessadas em combatê-lo.

A prefeita Flávia Moretti, alvo da ofensa, agora se vê isolada no campo legislativo, evidenciando que a luta contra a misoginia na política regional ainda enfrenta barreiras estruturais onde as alianças partidárias funcionam como um escudo, independentemente da gravidade da ofensa.

Lucas Bellinello

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