A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afastou mais um estudante suspeito de envolvimento na criação de uma suposta lista que classificava alunas do campus de Cuiabá sob termos de violência sexual. A medida institucional foi divulgada nesta quarta-feira (20) e marca o segundo afastamento desde o início das investigações.
O aluno alvo da nova medida é acadêmico do curso de Engenharia Civil. Com este desdobramento, o caso ganha novos elementos que envolvem suspeitas de intimidação dentro do espaço universitário.
Investigação Policial e Suspeita de Intimidação
De acordo com as apurações da Polícia Civil, o estudante afastado é filho de um policial federal. O agente público teria ido até as dependências da universidade na semana passada, gerando relatos de intimidação contra os estudantes que lideravam as denúncias:
- Versão do Policial: O agente alega que compareceu ao campus porque seu filho estaria sofrendo ameaças por parte de outros universitários. Ele já foi intimado a prestar depoimento, mas ainda não compareceu à delegacia.
- Registros de Segurança: Imagens do circuito interno da UFMT registraram o policial caminhando pelos corredores do campus utilizando boné preto, mochila e portando um objeto na cintura que se assemelhava a uma pasta.
A delegada Liliane Diogo, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), está à frente do inquérito. O procedimento investigativo formal foi instaurado logo após o recebimento dos documentos oficiais encaminhados pela reitoria da universidade. Vale lembrar que, no início de maio, um estudante do curso de Direito já havia sido preventivamente afastado sob a mesma suspeita.
Origem do Caso e Mobilização Estudantil
As investigações começaram após a viralização, em grupos de mensagens e redes sociais, de conteúdos e áudios que faziam referência direta a um “ranking” hostil contra as estudantes. O episódio desencadeou uma onda de protestos internos na UFMT e acendeu o alerta entre familiares e a comunidade acadêmica sobre a segurança e o acolhimento no ambiente universitário.
Diante do clima de tensão e das supostas ameaças sofridas pelos denunciantes, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, chegou a acompanhar pessoalmente os alunos até a delegacia para o registro formal da ocorrência.
Providências do Ministério Público
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) interveio no caso e instaurou um procedimento administrativo para apurar as responsabilidades criminais. O órgão estabeleceu as seguintes determinações:
- Prazo à UFMT: A reitoria tem o prazo de cinco dias para detalhar formalmente ao MP quais providências e medidas de segurança interna estão sendo adotadas no campus.
- Coleta de Provas: Foram enviados ofícios ao Centro Acadêmico de Direito (CADI) e ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) solicitando o compartilhamento de mídias, áudios e documentos que possam robustecer as investigações.


