Economia

Top Picks: Com taxa de juros em baixa, aumenta a procura por renda variável

O movimento de migração de investidores, especialmente pessoas físicas, de produtos financeiros de renda fixa para outros de maior risco, mas também com maior potencial de retorno, deve se acelerar após a decisão dessa semana do Banco Central de baixar os juros para 5,50% ao ano. Agentes do mercado ressaltam que essa mudança já está em curso, mas quanto menor a Selic, maior a procura por aplicações de renda variável.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, aponta que desde que a Selic foi reduzida para 6,50% ao ano, e com a perspectiva de novos cortes, começou a migração de renda fixa para variável. Mas para ele, esse movimento ainda é modesto. "Tenho conversando com vários investidores que me solicitam revisão de seus investimentos, e fica claro a vontade desta migração. O detalhe é o perfil de cada um, pois nem todos se encaixam em investimento de risco. Mas a tendência, com o novo corte na taxa Selic, é que ocorra uma aceleração neste movimento", afirma Galdi.

Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física do Santander, afirma que essa migração já é uma realidade. Ele lembra os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre a participação dos fundos de ações no mercado total, que passou de 4,2% em julho de 2017 para 7,6% no mesmo mês deste ano, enquanto os de renda fixa passaram de 48,4% para 42,5% na mesma base de comparação.

Outro dado ressaltado por Peretti é o volume médio de ações negociado por pessoas físicas na B3, que cresceu 49% entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2018. "Quando observamos o total de CPFs registrados na bolsa para compra de ações, o número saltou de 751 milhões em agosto de 2018 para 1,35 bilhão em agosto deste ano, segundo a B3. Com a Selic atingido a mínima histórica nessa semana, acreditamos que a procura dos indivíduos por diversificação e produtos de renda variável seguirá em alta”, completa o estrategista do Santander.

O sócio diretor do banco Modalmais, Ronaldo Guimarães, além dos produtos de renda variável, há um aumento também na demanda por alternativas de renda fixa pouco tradicionais, como títulos públicos e CDB. Para ele, essa mudança de perfil ainda é tímida, mas está em crescimento. "A procura por novos produtos, como fundos de investimento imobiliários, fundos multimercados e fundos de ações, estão entre as opções prioritárias de alocação. Estamos bastante otimistas com esse processo, a continuidade da queda da taxa de juro, grande notícia, vai fomentar ainda mais essa migração".

André Ferreira, analista da MyCap, cita debêntures, ações e fundos imobiliários entre as opções que têm sido mais procuradas pelos investidores. "Com a Selic em viés de queda, a busca por retornos melhores faz a com que essa migração ocorra com os investidores em busca de maior rentabilidade", afirma.

Foram feitas poucas mudanças nas carteiras recomendadas pelas corretoras para a próxima semana. Somente a Nova Futura alterou as cinco ações, passando a recomendar BR Malls ON, BB Seguridade ON, CVC ON, Hypera ON e Vale ON.

A Mirae fez três mudanças, com as entradas de BR Distribuidora ON, GPA PN e SulAmérica Unit. Foram mantidas JBS ON e Via Varejo ON.

Duas corretoras fizeram uma alteração cada. A MyCap retirou Kroton ON e trocou por Usiminas PNA. Na XP Investimentos, saiu JBS ON e entrou Marfrig ON.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26