Jurídico

TCE aponta ilegalidades em 33 convênios firmados com Casa de Guimarães

Uma auditoria especial do Tribunal de Contas do Estado apontou "fortes indícios de ilegalidades" em 33 convênios no valor de R$ 31.709.936,30 firmados pela Associação Casa de Guimarães com o Governo de Mato Grosso.

Para evitar um maior dano aos cofres públicos, o conselheiro interino Moisés suspendeu, por meio de medida cautelar, três convênios firmados entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDEC) e a Secretária de Estado de Cultura (SEC) nesta segunda-feira (25).

Dois destes convênios eram vingentes até 21 de agosto de 2018 e 2 de fevereiro de 2019. Já o último convênio suspenso ia até 11 de agosto de 2018 e envolve recursos no valor de R$ 946 mil para a realização de ações orientativas e recreativas para o uso sustentável do Complexo da Salgadeira.

Na ação, Moisés considerou que "a plausibilidade da alegada imprescindibilidade de se evitar a reiteração de atos irregulares e ilegais, que podem não só já ter causado sérios prejuízos aos cofres públicos, como também virem a agravá-los ainda mais".

Segundo a decisão do conselheiro, aproximadamente 85% dos R$ 31.7 milhões foram pagos para vinte empresas contratadas pela Associação. Entre este total, 11 possuem algum vínculo com a própria empresa, ou pertencem a terceiros ligados a ela por vínculos de parentesco com a proprietária Erika Maria da Costa Abdala.

A auditoria foi especial por que ela não estava prevista no Plano Anual de Fiscalização do TCE. Foi pedido então a à Secretaria de Informações Estratégicas do Tribunal para que verificasse supostas irregularidades que justificassem uma auditoria não planejada. Em resposta, o órgão apontou que a Associação firmou pelo menos 86 convênios com órgãos da Administração Pública Estadual e a Municipal, sendo credora de mais de R$ 35 milhões.

Em análise preliminar, o MPC constatou que o site da Associação da Casa de Guimarães não traz cópia do Estatuto Social, a relação nominal dos dirigentes e cópia integral dos convênios, contratos, termos aditivos, parcerias, ou outros ajustes firmados com o Poder Executivo. Também inexiste no endereço eletrônico a prestação de contas desses convênios, o que fere a Lei de Acesso à Informação (LAI).

A decisão ainda interroupeu quaisquer pagamentos com recursos públicos a empresa, bem como impediu que ela firme novos acordo com órgãos do governo. Caso não cumpram a determinação do conselheiro, será aplicada uma multa de 10 UPFs para cada dia de descumprimento. 

A empresa é também alvo de uma investigação da Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) por supostamente desviar recursos públicos em contratos firmados com o Governo de Mato Grosso entre os anos de 2011 e 2018.

Redação

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