Dois membros de uma facção criminosa foram condenados pelo Tribunal do Júri de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá, pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a vítima, Rafael de Jesus Pereira, foi capturada em abril de 2024, levada para uma área de mata nos fundos do Bairro União e submetida ao chamado “tribunal do crime”, realizado inclusive por videochamada com outros integrantes da facção. Após ser acusado de manter ligação com um grupo rival, Rafael foi executado com diversos golpes de instrumento perfurocortante, incluindo esgorjamento, e teve o corpo ocultado pelos criminosos.
Os réus Nataniel Rodrigues Castro e Lucas Alves de Gois, conhecido pelos apelidos “Riquinho” e “LK”, receberam penas de 28 anos e 31 anos e quatro meses de reclusão, respectivamente. Ambos já estavam presos e, por determinação da Justiça, não poderão recorrer da sentença em liberdade.
De acordo com as investigações, os acusados participaram diretamente da captura, julgamento e execução da vítima, em uma ação coordenada por integrantes da organização criminosa. O grupo concluiu que Rafael pertenceria a uma facção rival, motivação que levou à decisão de executá-lo.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que o crime foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. As três qualificadoras foram integralmente acolhidas pelo Conselho de Sentença, resultando na condenação dos acusados pelos crimes denunciados.
Após o julgamento, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino destacou a importância da condenação e ressaltou o histórico criminoso de Lucas Alves de Gois. Segundo o Ministério Público, ele é apontado como um dos principais executores da facção em Sorriso e é investigado por participação em dez homicídios atribuídos à organização criminosa Comando Vermelho, sendo nove consumados e um tentado.



