A Sociedade Mato-grossense de Anestesiologia (Soma) rechaçou a declaração do secretário de Saúde de Cuiabá, Luís Antônio Possas de Carvalho, sobre a falta de medicamentos no pronto-socorro. A entidade afirma que o secretário fez “acusações infundadas” para "desviar o foco da falta de medicamentos” iniciada na quarta-feira (19).
"Sem a medicação correta e na quantidade necessária não é possível dar o atendimento que a população merece. O risco é enorme para o paciente e para os anestesiologistas”, declara Diogo Leite Sampaio, presidente eleito da Sociedade Mato-grossense de Anestesiologia e vice-presidente nacional da Associação Médica Brasileira.
Conforme a associação, desde o dia 7 deste mês, anestesiologistas do hospital notificavam, por ofícios, a ausência de medicamentos. Ne na última quarta, medicamentos essenciais para as anestesias estavam em falta e foram solicitados por meio de comunicações internas à diretoria e à administração.
Dentre os medicamentos em falta, constavam das comunicações anestésicos como Propofol, isoflurano e sevoflurano além de efedrina, etilefrina e noradrenalina utilizados para manter a pressão do paciente. Também estavam na lista outros medicamentos em falta ou que estavam acabando e necessários para as cirurgias como: Cetamina, Clonidina, Alfentanil, Droperidol, Nilperidol, Cefalotina, Efortil, Morfina 0,2mg, Morfina 1mg e Propofol.
Ainda conforme a Soma, em um dos comunicados, havia o alerta para o problema “visando a manutenção de pacientes, solicitamos essas medicações para evitar a suspensão de cirurgias eletivas. Tendo o cuidado de providenciar para possíveis urgências e emergências”. No dia 19, foi comunicado, por memorando interno, à direção do pronto-socorro, a suspensão das cirurgias eletivas.
Na nota divulgada nesta sexta-feira (21) o secretário Luís Antônio Possas de Carvalho diz que “há bastante tempo o pronto-socorro vem trabalhando com um estoque baixo de anestesias, mas que em momento algum deixaram de realizar cirurgias, tanto de urgência e emergência, quanto eletivas devido à falta do produto. Só faltava isso, faltar anestesina num pronto-socorro".
“Na nota divulgada hoje [ontem, 21], o secretário distorce os fatos e tenta ludibriar a população falando de que as denúncias teriam como causa uma repactuação de contrato, com menor valor, com a Soma e que os medicamentos estariam sendo comprados em janeiro. Preocupa o fato do secretário dizer que os medicamentos só serão adquiridos no início de janeiro, pois há o risco de que nem as cirurgias de urgência e emergência possam ser realizadas”.



