Encontro entre empresários do setor produtivo com a senadora Margareth Buzetti e as deputadas federais Coronel Fernanda e Gisela Simona marcou, nesta segunda-feira (16), um debate sobre os impactos econômicos da possível mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. A reunião ocorreu em Cuiabá e reuniu representantes de diferentes segmentos da economia mato-grossense, além de parlamentares do estado.
Promovido pela Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso, o encontro aconteceu na sede da Fecomércio-MT e contou com a participação de lideranças da Famato, Fecomércio-MT e Fiemt. Durante o café da manhã, técnicos das entidades apresentaram estudos que apontam possíveis consequências da proposta em análise no Congresso Nacional, por meio das PECs nº 221/2019 e nº 8/2025.
Entre os principais pontos levantados estão o aumento de custos para as empresas, seja pela necessidade de contratar novos funcionários, seja pelo pagamento maior de horas extras para manter o nível atual de produção. Segundo os dados apresentados, o setor do comércio pode repassar ao consumidor um aumento de até 24% nos preços, enquanto o agronegócio projeta elevação no custo operacional das principais culturas.
Outro aspecto destacado foi o risco de crescimento da informalidade no estado. Atualmente, cerca de 31% dos trabalhadores em Mato Grosso atuam de forma informal, e os estudos apresentados não consideram totalmente esse cenário, o que pode ampliar ainda mais os impactos previstos caso haja mudanças na jornada de trabalho.
Representantes do setor produtivo defenderam cautela na condução do tema, ressaltando que diferentes atividades econômicas possuem dinâmicas próprias que exigem flexibilidade. No agronegócio, por exemplo, operações como plantio, colheita e transporte dependem de condições climáticas e não podem ser interrompidas. Já no comércio e na indústria, a diversidade de funções também demanda modelos mais adaptáveis de jornada.
Os parlamentares presentes reforçaram a necessidade de aprofundar o debate antes de qualquer avanço legislativo. Eles destacaram a importância de ouvir todos os setores envolvidos e avaliar, com base técnica, os impactos sobre a economia, o emprego e os serviços públicos. A discussão sobre o tema segue em análise no Congresso Nacional e deve continuar nos próximos meses.
