Os distritos de saúde indígena (DSEI) em Mato Grosso vão perder a totalidade dos médicos em atendimento com a saída dos cubanos do programa Mais Médicos. O número é superior a média nacional que deve ser de 81%.
“Todos os médicos [em atendimento nos DSEIs] são cubanos, Mato Grosso vai ter a totalidade deles com a saída dos estrangeiros do programa”, diz a coordenadora Regina Amorim.
Trinta e três cubanos atendem atualmente pelo programa, distribuídos por cinco distritos de saúde. A maioria está no DSEI de Cuiabá, onde 11 cubanos atendem majoritariamente a indígenas. Nove estão o DSEI Xavante; seis no DSEI Xingu; cinco no DSEI Araguaia; e quatro no DSEI Kaiapó do Mato Grosso.
Reportagem publicada nesta segunda (19) pelo jornal Folha de S. Paulo mostra Mato Grosso em segundo lugar em números de médicos estrangeiros em serviço em distritos indígenas. Amazonas está na primeira posição com a presença de 78 profissionais. Ao todo, são 19 Estados conglomerando 372 contratados cubanos. Com o fim da parceria com Cuba, o total de médicos nos DSEI deve reduzir em 81%, com chances de colapsar o atendimento.
Conforme a Folha, os principais problemas de saúde indígenas no Brasil são a anemia materna e taxa de mortalidade infantil, que chega a ser 20 vezes maior que a ocorrência entre crianças não indígenas.
Editais
Na semana passada, coordenadora do Mais Médicos, Regina Amorim, disse ao Circuito Mato Grosso que seja pouco provável que a substituição anunciada pelo governo federal de cubanos por brasileiros ocorra paralelamente à saída.
Segundo ela, o processo de editais podem levar até três meses, e o mesmo que o governo conseguira encaminhar o chamamento neste mês deve ocorrer um lapso de para o preenchimento das vagas. Informação extraoficial aponta que os cubanos devem sair de seus postos entre a última semana de novembro e 25 de dezembro.
“Um edital demora de dois a três meses para ser finalizados, os médicos também devem passar por treinamento, o que leva algum tempo. Temos receio de que não haja tempo para fazer uma substituição paralela à saída. Eles não vão precisar passar pelo Revalida – prova teórica e prática aplicada a profissionais com formação em instituições estrangeiras -, mas vão passar por treinamento”.



