A Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá, precisa adquirir uma máquina de hemodiálise para ampliar o atendimento a crianças que fazem tratamento renal crônico. Como o hospital possui apenas duas máquinas, vários pacientes tem que ficar internados para fazer o tratamento ou serem transferidas para outros Estados. Sem a hemodiálise, essas crianças correm risco de morte.
De acordo com a médica Emanuella Reis, hoje são oito pacientes, porém apenas três conseguem fazer o tratamento diário e voltar para casa. Um está na UTI e os demais tiveram passaram para diálise peritoneal, além de uma criança de um ano que precisa urgente do tratamento de hemodiálise.
Emanuella Rei conta que existe uma emenda parlamentar no valor de R$ 288.000,00 para adquirir as máquinas, porém nunca esse valor foi liberado.
Por conta da pequena quantidade de máquinas na Santa Casa, Nilton Almeida, de 11 anos, está internado na UTI do hospital desde o dia 22 de fevereiro. Ele mora com a família no bairro Cristo Rei e seu diagnóstico é de insuficiência renal e necessita realizar hemodiálise todos os dias para continuar vivendo.
O pai da criança, Dinilton Almeida, faz apelo à sociedade para que a Santa Casa consiga adquirir mais uma máquina. “Eles está morando dentro da UTI. Os médicos disseram que os rins dele estão parados. O aniversário dele é agora dia 16 de abril e ele me pediu ‘pai, queria tanto passar meu aniversário em casa’”, diz o pai, seu Dinilton Almeida para a reportagem do Olhar Direto, que no mento se reveza entre o trabalho de porteiro a noite, entregas de água durante o dia e acompanhante do filho no hospital.
Segundo seu Dinilton as máquinas de hemodiálise que a Santa Casa possui não são suficientes para o tratamento de todas as pessoas que necessitam. “Tem uma mãe lá que conseguiu uma máquina de doação, ela disse que custa mais ou menos uns R$ 48 mil reais. Essa máquina ajudaria não só o meu filho, mas várias outras crianças que precisam de tratamento lá no hospital”, explica o pai.
Em desabafo ele fala sobre a possibilidade de Nilton precisar realizar o tratamento fora de Mato Grosso. “Ele pode conseguir o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mas imagina como é para um pai largar tudo, mudar para outro estado, deixar esposa e filho e para o Nilton deixar mãe, irmão, parentes para fazer tratamento em um lugar desconhecido, morando em abrigo. Isso piora o quadro psicológico dele. E o Estado tem que ver isso também, porque na Santa Casa tem muita gente do interior que não sabe dos seus direitos, são humildes e aceitam o que derem, possam a vida morando em hospital”.
A doença foi descoberta já em estado avançado, por isso a necessidade de realizar a hemodiálise diariamente. “Foi silenciosa, levamos na Policlínica e ele começou a fazer tratamento para anemia, depois que descobriram que era um problema sério. Os médicos cogitam um transplante, mas só pode entrar para a lista depois de três meses. Agora o que a gente quer é que ele saia da UTI por causa do risco de contaminação e isso seria possível com a máquina nova”, diz seu Dinilton.
A hemodiálise é um método de filtração do sangue realizado por uma máquina que funciona como um rim artificial. No caso de Nilton ela deve ser feita de segunda a sexta e tem duração de pouco mais de 3h, diariamente.
Com Olhar Direto



