Economia

Salário mínimo necessário para sustentar família tem maior valor em 2 anos

R$ 3.959,98 foi o valor suficiente em novembro “para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência”.

É o valor mais alto desde novembro de 2016, quando foi de R$ 3.940,41. Houve alta em relação aos R$ 3.783,39 de outubro e aos R$ 3.731,39 apurados no mesmo mês do ano passado.

O cálculo do salário mínimo “necessário” é feito mensalmente há 24 anos pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base no valor da cesta básica mais cara, no caso São Paulo.

Quem mora no estado sentiu no bolso a alta dos alimentos que compõe a cesta básica: o valor foi de R$ 471,37, alta de 5,68% em relação a outubro e 11,08% no comparativo com o mesmo mês de 2017.

Segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, dos 18 capitais pesquisadas, 16 tiveram alta no preço da cesta básica no mês, e o que puxou a alta dos custos foi justamente os alimentos.

“Carne foi um dos produtos que mais aumentaram no período e tem uma participação pesada nos custos. Como o valor do salário mínimo não teve aumento, o trabalhador vai perdendo poder de compra, porque os preços estão sendo reajustados”, disse Ganz Lúcio.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em novembro, 45,07% do salário mínimo líquido para adquirir os mesmos produtos que, em outubro, demandavam 43,73% e, em novembro de 2017, 42,47%.

Depois de São Paulo, Porto Alegre é a capital com o maior valor da cesta básica (R$ 462,09) seguida por Rio de Janeiro (R$ 460,24), e Florianópolis (R$ 454,87). As mais baratas são de Salvador (R$ 330,17) e Natal (R$ 332,21).

Reajustes
De acordo com a lei atual, o salário mínimo é reajustado todo ano pela variação do INPC (inflação para população de baixa renda) no ano anterior, acrescido da taxa de crescimento real do PIB dois anos antes (se houver crescimento).

A política acaba em 2019, quando haverá um novo aumento real previsto para R$ 1.006 já que a economia cresceu 1,1% em 2017 e a previsão é que a inflação seja de 4,2% em 2018.

O novo governo vai decidir até o dia 15 de abril se mantém a fórmula antiga, cria uma nova ou se decide o valor ano a ano de forma discricionária. 

A manutenção da atual política de valorização pode ter efeitos negativos sobre o mercado de trabalho, disse o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser, em passagem recente pelo país.

O mínimo brasileiro corresponde a 70% da renda mediana do País. Nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), essa relação gira entre os 40% e 50%.

Consequências
Em um vídeo, o economista Carlos Eduardo Gonçalves explica quais seriam as consequências práticas se o salário mínimo saltasse bruscamente para o patamar calculado pelo Dieese:

“O que vai acontecer com a pessoa hoje empregada que ganha um salário baixo? (…) Você acha que elas vão continuar todas empregadas ganhando R$ 3.700 ou elas vão ser mandadas emboras porque a contribuição delas pro produto final da empresa não vale esses R$ 3.700?”.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26