Yuri Ramires / Especial para o Circuito Mato Grosso
Há 36 anos transportando grãos de Mato Grosso para outras regiões do país, Edgar Augusto Laurini espera pelo dia que irá trafegar pelas rodovias estaduais sem ter que se preocupar com a falta de sinalização e má condição do asfalto. Infelizmente, a realidade ainda está longe de ser mudada. O Governo do Estado reconhece que mudanças precisam ser feitas, mas elas devem acontecer em longo prazo.
“Todo dia é uma batalha e posso dizer que não há apenas um ponto que nos preocupa, infelizmente a situação de descaso se repete em todas as rodovias de Mato Grosso”, explicou o caminhoneiro, que também preside o sindicato da categoria em Tangará da Serra.
Na rota que geralmente faz em seu trabalho, o trecho entre Tangará e Itamarati, pela MT-246 ou BRs 163 e 364 é um dos que carecem de cuidados, pois apresenta muitos buracos e pouca sinalização. A situação também é alarmante no sentido de Brasnorte, também pela BR-364.
“A estrada é antiga e a situação é bastante precária. O poder público sabe das necessidades do local, mas nada é feito. Agente se sente como se tivéssemos vencido uma batalha cada vez que chegamos ao destino final, em especial em casa”, contou Edgar.
Na MT-246, o asfalto cedeu no começo deste ano, mostrando que a qualidade da obra não estava adequada. Durante o mês de março, no intervalo de duas semanas, três pontos da rodovia cederam.
Apesar dos problemas e dos alardes serem direcionados sempre às rodovias que recebem o maior número de veículos de grande massa, a situação é de conflito em outros pontos, como nas rodovias de rotas turísticas.
Conforme o presidente do Sindicato dos Motoristas Profissionais e Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres de Cuiabá e Região (STETTCR), Ledevino da Conceição, a MT-251, conhecida como Rodovia Emanuel Pinheiro, que liga a Capital a Chapada dos Guimarães, é uma das que mais inspiram cuidados.
“É um local que deixa a desejar, muitos dos motoristas que transportam pessoas e até cargas pequenas sempre ressaltam que a estrada-parque é uma das mais difíceis de trafegar por conta da má gestão de infraestrutura”, explicou.
Outro local que exige cuidado dos motoristas é a rota do pantanal mato-grossense e, claro, na Transpantaneira. “Na região de Poconé e Barão de Melgaço, as estruturas são precárias e sempre causam prejuízos aos motoristas. Na Transpantaneira nem se fala, por lá o abandono é evidente. Falta infraestrutura para receber turistas e até mesmo para a própria população que mora no local”.
Além dos problemas já citados, a falta de segurança foi mais um tema em comum citado por Edgar e Ledevino. Segundo eles, não há um canal de comunicação direto com as autoridades que possa dar auxílio em casos de roubos, assaltos e acidentes. No entanto, as condições melhoram no que diz respeito às rodovias federais privatizadas no Estado.
“O sistema de comunicação para alertar sobre casos de violência e até mesmo de acidentes melhorou em pontos que estão sob a concessão da iniciativa privada. Se não fosse o trabalho delas, a situação seria bem pior que a existente”, disse Ledevino.
Desde 2014, a BR-163 está sob o comando da concessionária Rota do Oeste. Nesse período de pouco mais de um ano, já foi realizada a duplicação de 22,7 km da rodovia, que liga Rondonópolis ao Terminal de Cargas da América Latina Logística.
O ponto é conhecido por receber a demanda de 30 mil toneladas de grãos diariamente, que são transportadas do estado para outras localidades do país. A rota de escoamento de grãos também se tornou um problema para os motoristas e produtores do Estado, conforme afirmado pela Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).
A situação não é novidade: no ano passado, pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) Rodovias 2014 avaliou quatro pontos de 15 rodovias no Estado. Dessas, seis são federais e nove estaduais.
Das rodovias administradas pelo Estado, nenhuma apresentou resultados satisfatórios no que diz respeito à infraestrutura para tráfego. Foram observados pontos como: pavimento, sinalização, geometria e estado geral da pista.
Na extensão total pesquisada, que representa 4.574 km, apenas 2,1%do trecho foi considerado ótimo, 12,6%bom, 43,9% regular, 32,6% ruim e 8,8% péssimo. Dos 798 km que representam as rodovias estaduais, os pontos pesquisados foram considerados regular, ruim e péssimo.
Os 156 km da MT-320 – que liga Alta Floresta à BR-163 – recebeu “péssimo” para três dos itens pesquisados. No que diz respeito à pavimentação, o resultado foi “ruim”. A BR 364, com a maior extensão de rodovia federal no estado, foi classificada como “regular” em todos os quesitos pesquisados.
Dados levantados pela própria Secretaria de Infraestrutura do Estado (Sinfra-MT) dão conta que 27 trechos de rodovias estaduais são classificadas como ruins ou péssimos.



