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Rio terá acessibilidade perto do ‘ideal’ nos Jogos Paralímpicos

A um ano do início dos Jogos Paralímpicos, a secretária da Pessoa com Deficiência do Rio, Georgette Vidor, conversou com o G1 e fez uma avaliação da acessibilidade da cidade, que entre 7 e 18 de setembro de 2016 receberá mais de 4 mil atletas paralímpicos de 178 países. Ela admite que ainda há muita coisa para ser preparada. E diz que outras não vão avançar. No entanto, afirma que a situação está muito melhor.

"A melhoria é significativa. O carioca e sobretudo quem vier para o Rio vão encontrar a cidade bastante perto daquilo que é o ideal."

A secretária conhece bem a realidade dos cadeirantes. Era técnica de ginástica olímpica quando um acidente com o ônibus do Flamengo, onde treinava, deixou sete mortos, em 1997. Georgette ficou tetraplégica e hoje é uma das usuárias dos avanços na acessibilidade na cidade.

Georgette está entusiasmada e confiante com a remodelação que a cidade vem recebendo por conta dos jogos. Na área dos transportes ela destaca o BRT. "Já testei, é maravilhoso. É claro que na hora do rush se pode encontrar alguma dificuldade, como acontece em qualquer parte do mundo", disse.

Entre outros pontos positivos que vê, estão o VLT, que entrará em funcionamento no ano que vem na Zona Portuária e no Centro, os BRTs e o metrô, que Georgette considera como padrão no atendimento ao portador de deficiência. Para ela, um grande conquista dos jogos foi a instalação de elevadores em pelo menos seis estações de trens da Supervia.

"Não é o ideal, o que gostaríamos, mas se não fossem os jogos acredito que não conseguiríamos. A única estação acessível que a gente tem é a do Maracanã", disse  

Segundo Georgette, no entorno dos locais de disputa como o Engenhão, houve uma ampliação das calçadas com instalação de equipamentos para melhorar o deslocamento das pessoas portadoras de deficiência. "A população irá perceber melhor os avanços quando os jogos estiverem mais próximos", disse.

Praias e calçadas: pontos fracos
Georgette aponta as calçadas em mau estado de convervação e o acesso às praias cariocas como os principais gargalos na acessibilidade da cidade. Segundo ela, apesar das Paralímpiadas ocorrerem em agosto, muitos visitantes vão querer conhecer as praias e devem encontrar dificuldades na maioria delas.

"Algumas têm acesso pela rampa e a faixa de areia é curta e não existe dificuldade. Mas, nas maiores como Copacabana e Barra da Tijuca, o ideal seria uma esteira para levar as pessoas até perto do mar. Existe um estudo, mas existem prioridades. Se sobrar dinheiro diante dessa crise é possível que a gente consiga implantar", explicou.

Já no caso das calçadas quebradas, ela afirma que a principal dificuldade é pra quem usa cadeiras de rodas mecânicas.
      
À frente da secretaria desde junho de 2011, a ex-coordenadora da seleção brasileira de ginástica artística se elegeu deputada estadual em 2002 com mais de 50 mil votos. Como deputada, foi a responsável pela primeira Comissão Permanente em Defesa das Pessoas com Deficiências no Brasil.
Dificuldade em outros países

De acordo com a secretária, as dificuldades de acessibidade para cadeirantes e outros portadores de deficiência não ocorre somente no Rio de Janeiro. Ela conta que viaja muito e relata experiências difíceis em outros países.

"Recentemente eu estive em Toronto para acompanhar os Jogos Panamericanos. Tive dificuldades lá para acessar o bonde que levava a gente aos locais de competição e também vi muitas calçadas quebradas. Ainda tive dificuldade de acesso na Torre de Toronto, uma das principais atrações turísticas da cidade."

EUA são modelo
Segundo Georgette, a preocupação com acessibilidade nas cidades é uma preocupação em todo o mundo e não só por conta dos portadores de deficiência.

"A população está envelhecendo e cada vez mais necessitando usar cadeiras de rodas, por exemplo. Por isso, o mundo inteiro está se mobilizando para promover obras de acessibilidade", explicou.

Para a secretária, somente os Estados Unidos estão à frente e dentro do padrão para receber portadores de deficiências.

Fonte: G1

Redação

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