Economia

Retirada de dólares do país em julho superou a entrada em US$ 2,64 bi

A retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso da moeda em US$ 2,64 bilhões no mês de julho, informou o Banco Central nesta quarta-feira (9).

Esse foi o segundo mês seguido de evasão de divisas. Em junho, US$ 4,3 bilhões já haviam deixado a economia brasileira.

A saída de recursos se intensificou após o agravamento da crise política provocado pelas delações de executivos do frigorífico JBS e que envolvem o presidente Michel Temer.

Com base nas delações, a Procuradoria Geral da República denunciou Temer por crime de corrupção passiva. Na semana passada, a Câmara rejeitou denúncia e livrou Temer de responder a processo no STF.

No começo de agosto, porém, o BC informou que os dólares voltaram a ingressar no país. Nos quatro primeiros dias úteis deste mês (entre 1 e 4), US$ 361 milhões entraram no país.

No acumulado deste ano, até a última sexta-feira (4), o ingresso de dólares superou as retiradas em US$ 5,19 bilhões. No mesmo período do ano passado, US$ 9,61 bilhões haviam sido retirados do Brasil.

Impacto no dólar

A saída de dólares favorece, em tese, a alta da moeda em relação ao real. Isso porque, com menos dólares no mercado, seu preço tenderia a subir.

Em julho, porém, o dólar registrou queda de 5,87% sobre o real – o maior recuo mensal em mais de um ano. No fim de junho, a moeda norte-americana estava em R$ 3,31 e, no fechamento da última segunda-feira (31), foi cotada a R$ 3,11.

Segundo analistas de mercado, além do fluxo de dólares, outros fatores influenciam a cotação da moeda, como o cenário político interno e externo e o processo gradual de alta dos juros nos EUA, que tende a atrair capital para aquela economia.

Nesta quarta-feira, o dólar opera em alta acompanhando a trajetória da moeda ante divisas emergentes no exterior, em ambiente de maior aversão ao risco com o acirramento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte, segundo a Reuters.

Interferência do BC

Outro fator que influencia a cotação do dólar são as operações de swap cambial, que funcionam como uma venda futura de dólares, ou de "swaps reversos", que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro.

Nestas operações, o BC faz oferta de dólares para tentar controlar a cotação da moeda e impedir grandes oscilações. Além disso, essas operações servem para oferecer garantia (hedge) a empresas contra a valorização do moeda.
 

Redação

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