Por Nealla Machado
Com o crescente número de casos de pessoas infectadas com o Zika vírus no país, o Ministério da Saúde propôs uma ação nacional em todas as instituições de ensino do país, com o intuito de conscientizar a população e impedir a proliferação do mosquito aedes aegypti, transmissor da Dengue e a Chikungunya.
Por conta dessa ação nacional, as universidades de Cuiabá fizeram um dia de atividades dedicadas a conscientizar a população sobre formas baratas e acessíveis de combater o mosquito. Os professores José Castello e Rosangela Tenório Costa da radiologia e biomedicina realizaram uma oficina para a confecção de repelentes caseiros para afastar o mosquito aedes.
Cheiro de cravo
O repelente caseiro, à base de cravo, é ecológico e acessível à grande parte da população, além de ser ideal para quem apresenta alergia contra repelentes industrializados. Para fazer o repelente de cravo é preciso 100 ml de álcool, 10 unidades de cravo e 50ml de óleo corporal. O modo de preparo também é bastante simples, basta misturar o cravo e o álcool e deixar em repouso por quatro dias, depois é só adicionar o óleo vegetal e começar a usar.
Um ponto que foi bastante ressaltado pela professora Rosangela Tenório é que o repelente precisa ser reaplicado com bastante frequência: “As pessoas acreditam que basta aplicar uma vez e estão protegidas, mas não é bem assim. Principalmente em Cuiabá, onde o clima é muito quente, o repelente caseiro deve ser aplicado no mínimo a cada hora, para realmente ter efeito”.
Outra dica que a especialista dá é em relação à validade do repelente caseiro. “Em um recipiente opaco e fechado, o repelente pode durar até 15 dias. Mas depois de aberto você tem que estar atento para o aroma do cravo, enquanto estiver sentido o aroma do cravo o repelente está funcionando”, fala a professora e médica.
Essa mesma mistura pode ser colocada também em repelentes eletrônicos, para substituir os líquidos industrializados, mas com uma ressalva. “O aparelho deve ser ligado bem perto de você, porque o repelente natural tem uma abrangência menor que os industrializados”, alerta Rosangela.
O professor de radiologia, Josimar Del Castanhel, destaca a questão econômica dos repelentes caseiros. “Em cidades do interior onde o acesso aos repelentes industrializados é mais difícil, essa é uma boa opção para a população, além de ser barata, pois são ingredientes bastante fáceis de achar”.
Flores para combater o mosquito
Outra novidade que foi trazida pelos estudantes para combater o mosquito que transmite o vírus Zika é a planta Crotalária. De acordo com os estudantes de medicina, que estavam entregando sementes da flor para a população, essa planta possui substâncias que atraem a libélula, um dos predadores naturais do mosquito aedes aegypti.
Segundo os estudantes, a planta funciona porque a flor possui substâncias naturais que atraem a libélula, um predador natural do mosquito. O mosquito e a libélula depositariam os ovos no mesmo lugar, e as larvas da libélula comeriam os ovos dos mosquitos. Além de o inseto adulto também se alimentar do aedes. A planta leva certa de dois meses para florescer, mas ainda não é completamente comprovada a eficácia desse método.
O que acontece é que a libélula não costuma ter hábitos muito urbanos, existindo em maior quantidade em ambientes silvestres, e o mosquito Aedes aegypti não faz parte das refeições favoritas da libélula, que tem em sua dieta vários outros insetos. A libélula só põe seus ovos em grandes depósitos de água parada e limpa, enquanto o mosquito depende apenas de uma gotinha de água, não necessariamente limpa, para procriar. Desta forma, nem sempre as larvas de libélula encontrarão larvas do mosquito aedes na hora da "refeição".
A maneira mais segura de combate ao aedes aegypti e aos vírus da Zika, Dengue e Chikungunya continua sendo a prevenção. Cuidar do quintal, não manter água parada e sempre manter limpos os locais onde água da chuva fica aglomerada continua sendo a melhor forma prevenção contra a doença. “Todas essas medidas são paliativos, até mesmo os repelentes industrializados devem ser reaplicados de duas a três horas em média. O ideal é a conscientização da população para acabar com os focos de reprodução do mosquito”, afirma Rosangela.
O mosquito
O mosquito habita, principalmente, lugares quentes e úmidos, fazendo do clima tropical, e de Cuiabá, o local perfeito para a proliferação das larvas. Qualquer lugar onde tenha um mínimo de água parada, mesmo uma tampa de garrafa ou casca de ovo já é suficiente para que o aedes se prolifere.
Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica, ou seja, o mosquito também consegue se reproduzir em “água suja”.
Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente, num período de sete dias, em média.
Entre seus hábitos, o aedes aegypti é geralmente diurno, preferindo sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia. Mesmo assim, em lugares com sombra e fresco o mosquito pode se alimentar, como também durante a noite se não encontrar alimento durante o dia.
Como diferenciar as doenças?
Como um mosquito altamente especializado que se tornou, o aedes aegypti agora transmite três diferentes doenças e, de acordo com os acadêmicos de medicina da Unic, é bastante simples diferenciar o sintomas.
A Zika apresenta febre baixa, bastante vermelhidão nos olhos, mas sem pus, quase uma conjuntivite seca, e uma leve dor nas juntas. É importante salientar que 80% das pessoas não sente nenhum sintoma se pegam essa doença. Entretanto essa é uma doença especialmente perigosa para as mulheres grávidas. Estudos apontam que existe uma relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia em recém-nascidos, o que pode afetar o desenvolvimento neurológico, psíquico e motor da criança.
Já quem contrai o vírus Chikungunya apresenta febre alta, dor de cabeça e nos músculos, dor aguda nas articulações e manchas vermelhas pelo corpo que não coçam, além de um grande mal estar no corpo. Não existe tratamento específico para a doença, sendo somente tratados os sintomas. É aconselhado às pessoas se manterem hidratadas e que fiquem de repouso. Além de usarem repelentes para evitar picadas de mosquitos.
A Dengue, já velha conhecida dos brasileiros, apresenta, como sintomas, dor nos olhos, dores no corpo inteiro, fraqueza extrema, além de manchas vermelhas pelo corpo, com possível febre alta. A Dengue, se não apresentar melhora, pode levar ao óbito, pois pode haver perda de liquido e hemorragias internas e externas, causando a falência múltipla dos órgãos. Por essa razão é importante o acompanhamento médico sendo apresentado qualquer um dos sintomas de qualquer uma dessas doenças.


