Levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) aponta que entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de pessoas em Mato Grosso estão fora do mercado formal de consumo, o que representa quase metade (47,3%) da população adulta do estado com restrições de crédito ao final de janeiro de 2026. O cenário acende um alerta para a economia doméstica e revela o impacto direto da inadimplência no poder de compra das famílias mato-grossenses.
De acordo com a pesquisa, o consumidor negativado em Mato Grosso possui uma dívida média de R$ 5.709,13, considerando a soma de todos os débitos registrados. Na comparação anual, a inadimplência apresentou crescimento de 4,59% em janeiro deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço, o índice estadual ficou abaixo das médias observadas no Centro-Oeste (7,42%) e no Brasil (9,39%).
O presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, avalia que a combinação entre juros elevados e a falta de educação financeira contribui para o aumento do endividamento. Segundo ele, o país enfrenta uma das maiores taxas Selic do mundo, o que encarece o crédito e dificulta a reorganização financeira das famílias. Macagnam defende que o equilíbrio fiscal e a inclusão da educação financeira no ensino formal são fundamentais para conter o avanço da inadimplência.
O levantamento também aponta que o início do ano exerce forte pressão sobre o orçamento das famílias, devido a despesas como material escolar, IPVA e IPTU. Em janeiro, houve aumento de 1,32% da inadimplência em relação a dezembro de 2025. O tempo médio de atraso das dívidas é de 28 meses, e 73,73% dos consumidores negativados acumulam contas vencidas entre um e cinco anos, o que evidencia dificuldades prolongadas de renegociação.
Em relação aos setores credores, o setor bancário concentra a maior parte das dívidas, com 53,79%, seguido pelo comércio, que responde por 22,77%. Serviços essenciais, como água e energia, somam 9,46%, enquanto o setor de comunicação representa 4,12%. O perfil do inadimplente no estado é majoritariamente masculino, com idade média de 43,8 anos, sendo a faixa entre 30 e 39 anos a mais representativa, concentrando 26,98% dos devedores.
