Artista Dayana Trindade denuncia violência doméstica em exposição coletiva em Cáceres
A obra, que integra a mostra “Quando a Arte Grita!”, utiliza a poética visual para romper o silêncio sobre os índices de feminicídio em Mato Grosso.
CÁCERES, MT – Em um cenário onde a violência doméstica vitima 58 mulheres por dia em Mato Grosso, a arte surge como uma ferramenta de denúncia e resistência. A artista plástica Dayana Trindade (@daytrindadearts) apresenta sua mais nova obra na exposição coletiva “Quando a Arte Grita!”, realizada na sede da Artemat, em Cáceres.
A proposta da artista mergulha em uma realidade alarmante: os 53 feminicídios registrados no estado em 2025, a maioria ocorridos dentro do ambiente doméstico. Em sua tela, Dayana utiliza a metáfora visual de rostos femininos velados por flores — uma “máscara” de cores e perfumes que simboliza a maquiagem e as aparências utilizadas para esconder as marcas da violência e o silêncio imposto.
A Poética do Ocultamento
A obra estabelece um contraste potente entre a delicadeza dos girassóis e o peso da dor. Enquanto as flores ocultam as marcas físicas, suas pétalas caídas revelam o que não pode mais ser calado.
• Textura e Simbolismo: O fundo da obra apresenta tons sombrios e texturas fragmentadas, evocando paredes que guardam segredos e casas que se transformaram em prisões.
• O Olhar Ausente: Ao encobrir os olhos das figuras com a máscara floral, a artista provoca o espectador a refletir sobre a invisibilidade dessas mulheres, muitas vezes reduzidas a estatísticas de uma “selvageria impune”.
“Este trabalho não é apenas uma denúncia, mas um chamado para que possamos enxergar além das aparências, romper os véus do silêncio e cultivar um futuro onde as flores sejam testemunhas de liberdade, e não máscaras de dor”, afirma Dayana Trindade.



