O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges disse, nesta terça-feira (20), que o Ministério Público encontrou “rastro” das placas, apontadas pelo cabo Gerson Correa, supostamente usadas nas escutas telefônicas ilegais. Ele disse que há no arquivo do órgão documento que registra a entrega das placas para a Secretaria de Cidadania e Justiça, vinculada à extinta Sejudh (Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos).
“As placas foram entregues para a Secretaria de Cidadania e Justiça. Elas foram entregues. No termo de assinatura está que foram entregues. A questão que fica é: onde estão essas placas? Se foram nossas placas realmente usadas nos grampos, segundo o próprio cabo, ele jogou no rio”.
O procurador ponderou sobre o material entregue pelo cabo, há algumas semanas, aos delegados responsáveis pela investigação. O dispositivo conhecido como “hard-lock” é equipamento que serve como memória móvel e está geralmente associado à aquisição de programas oficiais de computador. Ele possui um sistema de proteção de restrição de acesso, que necessita de renovação periódica e é geralmente usado, por exemplo, como armazenador alternativo de backup.
“Eu torço pra que essas placas apareçam. Seria ótimo que essas placas aparecessem, até porque está o sistema de gravação pra gente saber o que eles gravaram e efetivamente o que ocorreu. Tomada que essas placas apareçam”.
Antônio Borges ainda disse que compara as placas a uma arma que tem um objetivo e para o qual foi usada, neste caso, de fazer desvio das chamadas telefônicas. Ele não descarta que, se confirmado o desaparecimento do material, seja aberto inquérito para danos públicos.
“Não é um simples placazinha de computador. É uma placa especializada, tanto é que custou R$ 34 mil. Essas placas não podem ser meramente descartadas. Eu compara a placar a uma arma. Ela tinha objetivo de fazer desvios”.



