Economia

Previsão de queda mais rápida dos juros com Selic a 8% no fim do ano

Com a recuperação econômica em compasso lento e o choque menor do que se imaginava da crise política, aumentou a expectativa de que a taxa de juros cairá em maior intensidade neste ano.

Passados dois meses desde que a gravação de Joesley Batista (dono da JBS) veio a público, o dólar e o risco-país foram menos contaminados que previa o próprio Banco Central. O que afastou, por ora, o risco de contaminação de que uma disparada nesses preços pudesse fazer com que a inflação voltasse a subir.

O resultado líquido tem sido menos inflação e menos crescimento econômico.

Em seu mais recente comunicado, poucos dias após o escândalo, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu cortar os juros de 11,25% para 10,25%, mas indicou que pisaria no freio antevendo turbulências no contexto político.

Não foi o que ocorreu. O dólar passou de R% 3,10 para R$ 3,18, e o risco-país subiu 8% desde então, apesar da maior probabilidade de não vingar a reforma da Previdência, a mais importante medida econômica deste governo.

Além disso, a inflação de junho – na verdade deflação, ou seja, a queda generalizada de preços – e a meta para o índice de preços de 2019 revista para baixo (de 4,5% para 4,25%) conspiram para uma expectativa de queda mais acentuada dos juros.

Pesquisa semanal com mais de uma centena de analisas feita pelo BC mostra que a atual projeção é que a Selic chegue ao fim de 2017 em 8% ao ano. Até o episódio Joesley, a aposta central do mercado era de 8,5%.

O termômetro da atividade calculado pelo BC, divulgado na semana passada, apontou queda de 0,51% em junho, e as previsões são de que o PIB voltou ao terreno levemente negativo no segundo trimestre.

Assim, a previsão é que o BC cortará os juros novamente em um ponto percentual, para 9,25% ao ano, na reunião da próxima semana.

“A inflação continua bem comportada e a atividade econômica sem sinais de que tenha engatado a segunda [marcha]”, afirma Mauro Schneider, da consultoria MCM.

Em termos reais (descontada a inflação), os juros já recuaram de 7% ao fim de 2016 para 4% ao ano, e isso, na visão de economistas, ajudará a reativar o consumo.

A queda dos juros tende a abrir espaço para a redução do custo financeiro de empresas e de famílias endividadas.

A pesquisa de comércio do IBGE de maio ainda não mostra reação, porém, segundo a Associação Comercial de São Paulo, na primeira semana de julho as vendas na capital cresceram 8% ante o mesmo período do ano passado. Foi o melhor resultado quinzena captado neste ano.

Redação

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