Economia

Política de preços assustam consumidores de Mato Grosso

A nova política de preços adotada pela Petrobras (Empresa de Petróleo Brasileiro) modificou o cenário dos combustíveis no país. Há quem diga que essa modificação não trouxe bons resultados e ainda piorou o quadro de instabilidade financeira dos comércios e indústrias responsáveis pelo fornecimento dos produtos em geral, haja vista que os preços impactam diretamente o bolso do consumidor.

Em contrapartida, um levantamento divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) demonstra que a nível nacional, Mato Grosso se destacou em decorrência da maior baixa na revenda do etanol hidratado na bomba, que estava custando R$ 2,45 e caiu para R$ 2,39, redução de 2,48% se comparado à semana anterior.

Apesar dessa observação, economistas explicam que a tendência do mercado é aderir aos novos valores e que dessa forma é necessário reavaliar o orçamento da casa. Contudo, advertem que neste último semestre de 2017 tudo depende dos Emirados Árabes.

Preocupados estão os caminhoneiros que diariamente estão atentos quanto às variações de preço do petróleo. É que a categoria visa um lucro real e depende do saldo investido por litro de combustível, como explica o jovem Valdiri dos Santos que trabalha para uma transportadora de grãos.

Há três anos ele vem trilhando por diferentes rotas a fim de aumentar sua margem de lucro. Para ele, o país vive um de seus piores momentos em termos de estrutura financeira e o aumento no valor do diesel implica fortemente no salário no início do mês.

“Pra nós é muito ruim essa situação de inconstância. Quanto mais o valor do combustível aumenta, mais o valor do frete cai e a tendência é só diminuir também o nosso salário, porque nós trabalhamos com a régua de faturamento, então tudo vai depender da média de cada caminhão”, explica à reportagem.

Ele tem um filho de 3 anos e apesar de a esposa ajudar nas despesas da casa, diz que o custo de vida não é nada favorável. “A gente passa por alguns apertos de vez em quando. Minha esposa trabalha, ajuda, e muito, mas não é sempre que dá pra gente sair do convencional por causa das nossas contas mensais”, disse.

Só de motorista, Edevaldo Assunção, 55, atua há mais de 25 anos. Pela vasta experiência na estrada, ele conta que o “sobe e desce” nas bombas gera um prejuízo abusivo na conta do caminhoneiro, que ainda está sujeito a desembolsar para poder transitar nas rodovias federais do estado.

“É péssimo conviver com esses preços exorbitantes, ainda mais porque o pedágio acaba ficando mais caro e o frete, a mesma coisa. É um verdadeiro absurdo”, diz.

Em sua avaliação, a troca de governos, em que pesem as mudanças no setor logístico, não fez diferença. “Eu pertenço àquele tempo antigo, mas na minha avaliação não houve muita diferença na troca de governos. O passado e o atual são tudo a mesma coisa”, opina.

Mercado comemora retirada do setor das “mãos do governo”

Sob duas óticas de crescimento financeiro, mesmo tendo a crise que ainda atravessa os indicativos de melhorias, o diretor executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo MT), Nelson Soares Junior, analisou a variação dos preços médios registrados no mercado.

“A política da Petrobras para nós cidadãos é muito salutar, uma vez que tirou a mão do governo da determinação dos preços, isso elimina o risco de a gente ter que no futuro pagar rombo da Petrobras como estamos pagando hoje. Essa política é adotada no mundo inteiro que trata combustível como commodity como é a soja, milho e algodão, isso é positivo para o Brasil”, explica o diretor executivo.

Para Nelson Soares a adoção da independência da estatal trouxe um avanço para a economia brasileira no que diz respeito ao desmembramento de poderes. Todavia, a indústria, que é a maior consumidora dessa fatia de retorno de recursos, ainda não está preparada para eventuais mudanças, uma vez que as oscilações são frequentes, chegando a 60, como já se contabiliza neste ano.

“Para ter uma ideia, nós tivemos de 1° de julho até aqui 60 alterações de preço. Então essa variação ainda está se acomodando dentro do mercado, e como é que ela vai ficar impactando os preços tanto pra cima como pra baixo? Atualmente o que está acontecendo é que existe um período de acumulação dessas variações e aí quando ela atinge um patamar impactante é transferida dos preços tanto pra cima quanto pra baixo”, argumenta o diretor.

Do ponto de vista de avaliação, Nelson acredita que com a exploração do petróleo haverá um interesse maior do mercado internacional em aplicar com taxas de juros menores.

“O que nós entendemos é que com essa política que a Petrobras está adotando, está melhorando os índices de avaliação dela e está conseguindo recursos externos com juros mais baratos, o que é importante para continuar o desenvolvimento da política de produção e exploração de Petróleo no Brasil, que é o caixa que ela precisa para fazer isso”, fala otimista.

Em relação à determinação de preços nas bombas, o diretor da entidade explica que vai da necessidade e da visibilidade de lucro de cada empresário e que nessas questões o sindicato não costuma interferir nem orientar.

“Em relação à precificação dos postos, aí quem determina é a concorrência do mercado. Se existem variações, é porque o mercado entende que possa trabalhar assim. Nós, enquanto entidade, não interferimos nessa questão e nem acompanhamos. Também não orientamos porque quem tem de resolver essa questão é o mercado. Quem tem que determinar é a consciência de cada empresário, de cada revendedor dentro do seu negócio”, informa.

Reajuste em posto é desconto certo no “bolso do consumidor”

Pra falar de aperto, o brasileiro já entende bem, afinal os riscos de não ter direito a uma mera mordomia crescem cada vez mais e o pessimismo acaba nesse ritmo danoso que prevalece. Em Mato Grosso, o economista Emanuel Daubian abre um diálogo mostrando que o consumidor ainda tem muito com que se preocupar.

De acordo com Daubian, é notório que o acúmulo ou recuo dos valores dos combustíveis impactam diretamente a folha de pagamento do consumidor, principalmente se a transportadora sentir a necessidade de aumentar o valor dos fretes.

“O combustível é um dos produtos intactos da cadeia produtiva porque, quando há aumento no preço, afeta o frete dos produtos, tanto o frete rodoviário como o aéreo. Então isso tem um impacto no preço daqueles produtos que vai direto para a mesa do consumidor”, explica.

Questionado se há uma saída para o cidadão, o economista menciona que é preciso ajustar ainda mais o orçamento de casa optando por substituir alimentos que são exportados por produtos produzidos e revendidos a preço diferenciado.

“Esse impacto pode ser maior ou menor dependendo do produto. Se o consumidor comprar produto local, não tem impacto. Vamos supor o tomate: existe pouca produção em Cuiabá ou na região e se houver um aumento grande vai impactar o preço do tomate e o tomate não é substituível. Nesse caso, se pode dar preferência a outros orgânicos que são produzidos no local, como banana-da-terra e quiabo. Então determinados produtos não sofrem impactos e você pode até trocá-los. São alimentos mais ricos em nutrientes e da terra”, aponta as vantagens.

Conforme Emanuel Daubian, é válido ressaltar que há uma enorme diferença no preço de industrializados e alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos. Além do mais, que se nenhum dos sabores agradar o consumidor pode deixar de levar pra casa se não achar necessário.

Sobre o futuro do mercado petroleiro, o economista frisa que por enquanto não há expectativas de crescimento, haja vista que tudo está a depender dos Empresários Árabes.

“Essa é uma pergunta difícil de responder, porque depende de como vai ser o mercado internacional que depende dos árabes, eles que comandam o cartel de petróleo. Às vezes eles querem aumentar o lucro deles e diminuir a produção, e eles estão com muitos recursos e excesso de petróleo. Nesse caso, não dá para prever o futuro”, conclui.

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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