Criado para facilitar pagamentos instantâneos, o Pix movimentou R$ 233,46 bilhões em Mato Grosso entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Banco Central, com alta de 15,98% apenas em julho, quando foram transacionados R$ 36,92 bilhões. O valor representa crescimento de R$ 5,08 bilhões em relação ao mesmo mês de 2025, consolidando o sistema como uma das principais ferramentas para movimentação financeira no Estado.
O resultado acompanha uma trajetória de expansão ao longo do ano, apesar de uma retração pontual em fevereiro. Em abril, o volume chegou ao recorde do período, com R$ 37,81 bilhões movimentados, alta de 19,02% em relação a março. De acordo com o economista Márcio Rocha, o comportamento reflete tanto a sazonalidade quanto a dinâmica da economia mato-grossense.
O agronegócio é apontado como um dos fatores que influenciam os ciclos de movimentação financeira em Mato Grosso. O período entre março e abril costuma concentrar operações relacionadas à comercialização da safra, aquisição de insumos, transporte e demais atividades da cadeia produtiva. Rocha ressalta, porém, que os valores movimentados pelo Pix não podem ser utilizados isoladamente como indicador de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
A evolução também é observada no comércio e no setor de serviços, que passaram a incorporar o Pix de forma mais ampla às operações. Para o presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, Sebastião Gonçalves, o avanço demonstra uma mudança nos hábitos de consumo e nas relações comerciais. Segundo ele, meios de pagamento mais rápidos e acessíveis facilitam as transações, melhoram a experiência do consumidor e dão mais agilidade aos negócios.
Entre abril e julho, todos os meses registraram movimentações superiores a R$ 35 bilhões, mantendo o sistema em um patamar elevado mesmo após o pico registrado em abril. A média mensal nos primeiros sete meses do ano foi de R$ 33,35 bilhões. O histórico também mostra forte influência da sazonalidade, como em dezembro de 2025, quando o Pix movimentou R$ 37,16 bilhões, alta de 26,65% sobre novembro.
Para Márcio Rocha, a manutenção do crescimento ganha relevância porque ocorre após o Pix já ter alcançado elevada penetração entre consumidores e empresas. Na avaliação do economista, a expansão de quase 16% em 12 meses indica que o meio de pagamento continua ganhando espaço nos fluxos financeiros, impulsionado tanto pela mudança estrutural nos meios de pagamento quanto pelo nível de atividade econômica de Mato Grosso.

