Com aumento de 15% em junho sobre o mês anterior, o componente que mede o Nível de Consumo Atual das famílias, em Cuiabá (MT), mostra o reflexo da segurança que as famílias sentem, na atualidade, com o Emprego Atual (que se refere a segurança do funcionário quanto a continuar naquele emprego), que também apresentou alta de 1,5% e que possibilitou, por consequência, mais acesso ao crédito às famílias neste mês (2%).
Estes subitens da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e divulgada nesta terça-feira (27/06), pela Fecomércio-MT, vão na contramão do índice geral da pesquisa, que apresentou queda tanto na variação mensal quanto no acumulado do primeiro semestre do ano (2,6% e 10,2%, respectivamente).
Se compararmos as faixas de renda, também houve queda para as famílias que recebem até 10 salários mínimos (-3,1%). No entanto, para as famílias que recebem acima de 10 salários, houve crescimento na intenção de consumo de 1,3%. O índice para famílias nessa faixa de renda é superior à média geral.
Momento é de recuperação das condições econômicas
Outros subitens da pesquisa também apresentaram retração no mês, puxado pela Perspectiva Profissional (-12,2%) (que se refere a possibilidade de aumento de salário ou de promoção dentro do atual emprego), saindo da zona de satisfação em abril, quando tinha 100,2 pontos e entrando na zona de insatisfação com os atuais 83,2 pontos neste mês; Momento para Duráveis (-10,9%), com 45,6 pontos e Renda Atual (-6,2%) caindo para 80,9 pontos. Já a Perspectiva de Consumo apresentou leve alta de 0,1% (49,7 pontos).
O economista da CNC, Bruno Fernandes, explica que o início da recuperação das condições econômicas, como desaceleração da inflação, queda dos juros e liberação dos recursos das contas inativas do FGTS, pode levar a uma alta mais consistente das variáveis que medem a situação corrente dos consumidores ao longo dos próximos meses.
Já o superintendente da Fecomércio-MT, Evaldo Silva, também afirma que isso já é reflexo da saída da pior crise que o país atravessou. “Os problemas que passamos anos atrás causaram a maior crise já presenciada e, consequentemente, isso repercute até hoje”. Ele completa. “A queda da inflação (IPCA) tem seu papel importante no crescimento da economia. O mesmo podemos dizer da geração de emprego, que voltou a ficar positiva depois de três anos de queda no mês de abril”.

