Uma pesquisa com empresários mato-grossenses mostra que 98% sofreram impactos negativos no comércio em Mato Grosso devido às medidas restritivas para evitar a propagação do novo coronavírus. Ao todo, 354 empresários foram entrevistados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no estado, entre os dias 27 e 28 de março.
A pesquisa foi feita em municípios localizados nas principais regiões econômicas do estado. Os empresários demonstraram preocupação com o cenário econômico após as medidas tomadas para evitar o avanço da Covid-19, como a suspensão dos comércios, eventos e atividades culturais, religiosas e comerciais em geral.
Em Mato Grosso, tem uma morte confirmada por Covid-19 e 60 casos confirmados da doença.
Conforme o levantamento, 86% deles notaram redução nas vendas. Além disso, os donos de empresas contaram que houve queda de consumidores e nas atividades dos negócios. Todos concordaram que a situação é decorrente aos efeitos da restrição à circulação de pessoas e do isolamento social, que mudou as cidades e o modo como as pessoas consomem.
De acordo com a pesquisa “Percepção de Lideranças Empresariais de Mato Grosso sobre os Impactos do Coronavírus nos Negócios e na Economia”, a maioria dos empresários (97,94%) diz que a crise de saúde provocada pela doença Covid-19 já impactou as empresas de forma negativa e geral.
O Sebrae ouviu empresários dos municípios de Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Confresa, Cuiabá, Juína, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis, Sinop e Tangará da Serra. A queda de receita é a maior preocupação dos entrevistados.
O gerente da área de Inteligência Estratégica do Sebrae-MT, André Luiz Schelini, explica que quando o empresário está em uma retomada de crescimento econômico e de repente tem uma parada praticamente brusca da sua atividade empresarial, afeta não só o negócio, mas todo o sistema em que a empresa está inserida. Para ele, de um modo geral, toda essa situação chama muito a atenção.
Foram avaliadas várias perspectivas referentes ao coronavírus na pesquisa, como o grau de preocupação da doença. De 0 a 10, a nota dado pelos empresários foi 7,8, o que, segundo a pesquisa, expressa intensa apreensão com a situação atual. O gerente analisa que mesmo, em período de retomada na economia, o mundo já recebia sinais de que estava aproximando uma crise externa.
“Vimos a doença crescer, tomar dimensões cada vez maiores e sendo propagada e acreditamos que isso não fosse chegar, minimizamos. E talvez isso seja a grande razão da preocupação, pegou todo mundo de surpresa, ninguém levou a sério de que se tratava de um problema de saúde pública mundial”, disse Schelini.
Mais de 57% dos empresários entrevistados disseram que possuem pouco conhecimento sobre as medidas trabalhistas e econômicas tomadas pelo governo federal para proteção das empresas brasileiras.
Cerca de 36% disse conhecer bastantes as medidas e 7% não tem nenhum conhecimento de alguma medida do governo federal em razão da Covid-19.
Sobre o conhecimento do novo coronavírus, os empresários também foram razoáveis: 57% deles disse saber o que é, cerca de 42% sabem pouco e só 1% afirmou não saber do que se trata. Ao mesmo tempo, 78,81% dos empresários falaram que tomaram medidas para se protegerem do novo coronavírus.
Dentre as ações tomadas está intensificação da higiene no ambiente de trabalho (20,18%), as orientações sobre a doença aos funcionários (18,49%), a suspensão do atendimento presencial, com manutenção do atendimento remoto (8,15%) e a redução de estoque e compras e o home office, que totalizaram 7,85% cada.
O gerente explica que o problema da Covid-19 não é uma questão pontual de apenas um setor econômico, de uma atividade ou de um território. Mas é um problema sistêmico que atinge a todos e que necessita e envolve uma governança para trabalhar na gestão disso. Para Schelini , a saída é desenvolver um trabalho em rede, para que economia volte a se organizar e se reconfigurar.
A pesquisa foi realizada com empresários com idades entre 24 e 65 anos dos setores de serviços, comércio, agropecuária e indústria. A maioria deles são homens e possuem o ensino superior completo. Quase metade dos entrevistados possuem microempresas e o tempo de atividade variou de 2 a 10 anos entre eles, de acordo com Sebrae-MT.



