Ação autorizada pelo STJ é desdobramento da Operação Sisamnes; magistrado apresenta patrimônio milionário incompatível com a renda, e investigação aponta permuta suspeita de imóvel
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) uma nova fase de investigações sobre um suposto esquema de negociação e venda de sentenças no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os alvos da ação, que foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL). A ofensiva policial é um desdobramento direto da Operação Sisamnes.
Aumento Patrimonial e o Elo com o Deputado
As suspeitas contra o desembargador se agravaram após a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. As apurações apontam que Dirceu dos Santos possui uma evolução patrimonial totalmente incompatível com seus ganhos lícitos na magistratura.
- Movimentação Milionária: O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou que o desembargador movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, acumulando um patrimônio avaliado em mais de R$ 16 milhões.
- O Apartamento Suspeito: Um dos pontos centrais da apuração é um apartamento de R$ 1 milhão localizado no edifício Vila Real, no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. Na descrição de bens, o imóvel aparece como adquirido “por permuta” em conjunto com o deputado estadual Faissal Calil.
A ligação profissional entre os dois alvos é antiga. Faissal trabalhou diretamente no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. Eleito deputado estadual em 2018 (com posse em 2019), o parlamentar apresentou sua declaração de renda à Justiça Eleitoral, mas o apartamento milionário citado no processo não foi incluído no documento.
Afastamento e Buscas no TJMT
Dirceu dos Santos já se encontrava afastado de suas funções no tribunal estadual desde março por ordem do CNJ, justamente pelas suspeitas de obtenção de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais favoráveis.
Recentemente, o cerco se fechou ainda mais com novas determinações do Conselho, que resultaram em mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal diretamente no gabinete do magistrado, na sede do TJMT.


