Michele e Priscila estavam juntas durante assassinato em Itanhaém, SP (Foto: Michele Laila/Arquivo Pessoal)
A namorada de Priscila Aparecida Santos da Costa, de 25 anos, assassinada após uma discussão iniciada por razões homofóbicas em um bar de Itanhaém, no litoral de São Paulo, conversou com o G1, na noite desta segunda-feira (29), e afirmou que ainda está chocada com o crime. Ela estava com a vítima na hora do assassinato, na noite do dia 22 de fevereiro, e diz que ainda não entende o que levou o suspeito a ter matado a companheira.
A estudante Melissa Laila Santos do Nascimento, de 15 anos, estava acompanhada da namorada e do irmão da vítima, quando começou a ser insultada por Fabiano da Silva Gregório, de 19 anos. De acordo com a polícia, Priscila teria reagido às injúrias homofóbicas e, após a briga, os três saíram do local e foram até uma praça. Na sequência, por volta das 5h30, Gregória chegou no local de bicicleta e executou Priscila com dois tiros. A jovem morreu a caminho do hospital.
Melissa conta que, no momento do crime, não entendeu muito bem o que estava acontecendo e o que teria motivado os insultos, já que elas conheciam o autor dos disparos. "Na verdade, não escutei o começo da discussão. Houve uma briga e depois saímos para a praça. O assassino acabou indo para o outro lado. Pouco tempo depois que chegamos na praça, ele voltou armado e atirou nela, sem falar nada", disse.
A estudante conta que conheceu Priscila há quatro anos e que essa foi a primeira vez que ambas sofreram com preconceito. "Ela [Priscila] me disse uma vez que já discutiu com esse rapaz porque ele falava para ela virar mulher e se vestir direito. Ela não levava desaforo para casa", disse.
Futuro
Uma semana após o crime, a jovem ainda procura respostas e lembra os bons momentos vividos com a companheira, tentando superar o trauma causado pelo assassinato. "Nós estudávamos juntas e ela sempre me ajudava. Estou sem rumo, não sei como tocar a minha vida. Agora, só penso em Justiça e em ver esse homem preso. Imagino que, se ele fez isso com ela, poderia ter feito comigo ou com qualquer pessoa por aí", desabafa.
Foragido
O caso foi encaminhado para a DIG de Itanhaém e é investigado pela delegada Evelyn Gonzalez Gagliardi e o investigador-chefe Mário Augusto.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito já tem passagem pela polícia por furto. A Justiça decretou a prisão preventiva de Fabiano.
Após o início das investigações ainda na semana passada, os policiais conseguiram informações sobre o endereço onde o suspeito mora. Ao chegarem no local, foram informados por parentes que Fabiano, após o crime, foi à residência dizendo que havia "feito besteira" e assassinado uma moça. Em seguida, ele fugiu sem dizer para onde.
Fonte: G1


