Cultura

Na maior planície alagável do mundo, iniciativas do Sesc Pantanal contribuem para fortalecer a cultura local 

Da gestão da RPPN às ações culturais com grupos locais, Sesc Pantanal atua junto às comunidades do território 

No coração do Pantanal, uma das maiores áreas alagáveis continentais do mundo, a água não é apenas um recurso natural, é memória, cultura e modo de existir. Essa compreensão orienta o tema do Dia Mundial das Áreas Úmidas em 2026, celebrado no dia 2 de fevereiro, que trata das “Áreas úmidas e conhecimento tradicional: celebrando o patrimônio cultural”, chamando a atenção para a importância dos saberes construídos por povos e comunidades que vivem nesses territórios.     

No Pantanal, essa relação faz parte da dinâmica do bioma e orienta ações desenvolvidas pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal há quase três décadas, com a conservação de mais de 100 mil hectares, que integram ciência, gestão ambiental e participação de pantaneiros.     

“As áreas úmidas não são apenas espaços naturais, elas concentram histórias, memórias e modos de fazer que ajudam a explicar quem somos enquanto povo. Cuidar desses ambientes é também cuidar da nossa identidade”, afirma Cristina Cuiabália, gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal.   

Essenciais para a biodiversidade, a regulação do clima e a oferta de água e alimentos, as áreas úmidas do Pantanal dependem do equilíbrio dinâmico entre cheias e secas, ritmo que tem sido modificado nos últimos anos, impondo desafios à conservação e às comunidades locais.   

O Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, contribui para o cuidado do bioma por meio da RPPN Sesc Pantanal e dos parques Sesc Baía das Pedras e Sesc Serra Azul, com o trabalho feito, em sua maioria, pelos pantaneiros que atuam nas áreas do Sesc Pantanal.  

Reconhecimento Internacional  

Maior do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal é reconhecida como Sítio Ramsar, título concedido pela Convenção de Ramsar, e como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera, pela Unesco, certificações que atestam sua relevância internacional para a conservação do Pantanal.  

“Quando o Sesc criou a RPPN no Pantanal, o objetivo era garantir uma ação estruturante para a conservação da natureza. Hoje, essa Reserva contribui diretamente para a proteção de espécies ameaçadas, espécies migratórias, para a pesquisa científica e para a valorização do bioma como patrimônio ambiental e cultural”, destaca Cuiabália.    

Saberes do território

A relação entre natureza e cultura também pode ser observada nas histórias e trajetórias de pessoas como Dito Verde. Pantaneiro e cururueiro, reconhecido como único morador da RPPN Sesc Pantanal. Em seu modo de plantar, observar as fases da lua, construir a casa, tocar a viola de cocho, compor e cantar o cururu, estão presentes saberes diretamente ligados ao uso sustentável dos recursos naturais e à adaptação aos ciclos das águas.   

A viola de cocho, inclusive, é reconhecida como patrimônio cultural imaterial, não apenas pelo objeto em si, mas pelo saber envolvido em sua produção e execução. Turistas que se hospedam no Hotel Sesc Porto Cercado podem vivenciar essa cultura de perto em visitas à casa de Dito Verde, onde têm contato com a sua história, a culinária local, a música regional e o modo de vida pantaneiro, uma experiência que conecta ecoturismo e educação ambiental.    

Cultura pantaneira em evidência

A valorização da cultura pantaneira é uma das bases de atuação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal. Ao longo do ano, a instituição promove atividades que incluem apresentações culturais, que fortalecem manifestações locais, como os Mascarados de Poconé, grupos de Siriri e Cururu e o Grupo Bonecos Marcolinos, da comunidade São Pedro de Joselândia, vizinha da RPPN Sesc Pantanal. Essas expressões integram programações como o Quintal do Sesc Poconé e o Domingo no Parque, criando espaços de visibilidade, geração de renda e proteção do patrimônio imaterial.  

“Mais do que lazer e turismo, as ações do Sesc Pantanal fortalecem identidades, dão visibilidade aos artistas locais e mantêm vivas as tradições do Pantanal. Ao criar espaços de encontro entre a arte, a comunidade e o público, o Sesc contribui para que esses saberes sejam valorizados e transmitidos às novas gerações”, afirma Marcos Almeida Dias, mestre da cultura popular e artista plástico do Grupo Bonecos Marcolinos.  

O Dia Mundial das Áreas Úmidas marca a assinatura da Convenção de Ramsar, em 1971. Atualmente, o tratado reúne 172 países e mais de 2.500 sítios Ramsar no mundo. O Brasil aderiu em 1993 e possui 27 áreas reconhecidas, entre elas a RPPN Sesc Pantanal.

Fotos: Reprodução/Divulgação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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