Economia

Mudança sobre exploração do pré-sal preocupa envolvidos em leilões

A equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, estudam formas para mudar a exploração do pré-sal.

A ideia é colocar para votação no Congresso, ainda neste ano, o modelo do regime de partilha da produção para o modelo de concessão.

A equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, estudam formas para mudar a exploração do pré-sal.

A ideia é colocar para votação no Congresso, ainda neste ano, o modelo do regime de partilha da produção para o modelo de concessão.

O regime de partilha foi instituído no governo do PT, com o argumento de que o Estado teria mais acesso a recursos dos produtivos campos do pré-sal, assim como maior controle sobre as riquezas.

Com essa alteração o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa no pré-sal, por exemplo, renderá cerca de R$ 60 bilhões, sendo R$ 48 bilhões para a União e R$ 12 bilhões para os Estados e municípios (20% do valor), se feito pelo regime de partilha.

Se o leilão mudar para o regime de concessão, a arrecadação aumentará substancialmente, atingindo cerca de R$ 100 bilhões. 

Para Mauro Coelho, diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as discussões sobre o fim do modelo de partilha de produção no pré-sal ameaçam o ritmo de leilões, podendo até paralisá-los.

“Tenho receio em relação a tudo isso… Se entrarmos nessa discussão no Congresso, corremos o risco de paralisar leilões. Esse é um risco que a gente não quer”, disse Coelho.

Márcio Félix, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, demonstrou a mesma preocupação.

Durante evento no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (22), ele disse que a mudança pode atrasar ou mesmo colocar em risco um eventual leilão do excedente da área petrolífera da cessão onerosa.

Félix aponta que essa conversa deveria esperar. “Se tudo der certo, o certame poderia ser realizado no segundo trimestre de 2019”, disse.

Ibsen Flores, que representa a União nos contratos de partilha de produção, afirmou que algumas delimitações da exploração do pré-sal no modelo de partilha poderiam ser revistas.

“Existem áreas dentro do polígono que não fazem sentido manter como regime de partilha”, disse Flores, explicando que a oferta dessas áreas em regime de concessão poderia atrair mais investidores.

No regime de partilha de produção, que vigora atualmente, sai vencedor quem ofertar a maior parcela de petróleo à União.

Já no modelo de concessão, ganha a empresa que pagar mais ao governo pelo direito de explorar a área. O valor não é definido previamente e nem parte do petróleo precisa ser destinada à União — que ganha de outras formas, como por meio de royalties. 

20% para os estados
Nesta semana, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniram para determinar uma partilha de dinheiro arrecadado com o megaleilão de petróleo do pré-sal.

O acordo que está em andamento determina que estados e municípios poderão ficar com 20% dos recursos recebidos.

Sem esse acordo, Eunício já avisou a Guardia e Guedes que o projeto de lei para a revisão do contrato de cessão onerosa da União com a Petrobrás não será aprovado na próxima terça-feira, dia 27. O leilão só pode ser realizado depois da assinatura da revisão do acordo.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26