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MPSC conclui que cão Orelha não foi agredido; perícia aponta morte por infecção crônica

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou nesta terça-feira (12 de maio de 2026) que as investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, refutam qualquer hipótese de agressão humana. Após a revisão de quase 2 mil arquivos, o órgão solicitou o arquivamento do caso contra os adolescentes que eram investigados.

Provas Periciais e Descompasso de Horários

A principal peça da defesa dos adolescentes e da conclusão do MPSC foi a análise das câmeras de monitoramento. A perícia revelou uma falha de sincronia de cerca de 30 minutos entre os sistemas de um condomínio e o sistema público Bem-Te-Vi.

  • Localização: As imagens provaram que, no momento em que o adolescente estava no deck da praia, o cão Orelha se encontrava a aproximadamente 600 metros de distância.
  • Mobilidade: O animal foi registrado com locomoção normal quase uma hora após o suposto ataque, o que descarta que ele tenha saído da praia ferido por humanos.

Causa da Morte: Condição Clínica Grave

A exumação do corpo de Orelha foi determinante para esclarecer o óbito. O perito veterinário analisou todos os ossos e não encontrou fraturas ou traumas compatíveis com pauladas ou agressões físicas.

  • Osteomielite: O cão sofria de uma infecção óssea crônica e grave no maxilar esquerdo, provavelmente causada por doenças periodontais (de dente) avançadas.
  • Lesão Antiga: O edema observado no olho do animal era reflexo dessa infecção interna profunda, que já apresentava perda de pelos e inflamação de longo prazo.
  • Vulnerabilidade: O MPSC citou que a companheira de Orelha, a cadela Pretinha, morreu poucos dias depois devido à doença do carrapato, reforçando que os animais viviam em situação de vulnerabilidade sanitária.

Investigação sobre Fake News e Conduta Policial

Além de pedir o arquivamento, o Ministério Público tomou medidas contra as irregularidades ocorridas durante o processo:

  1. Corregedoria da Polícia Civil: Foi solicitada uma investigação sobre a conduta da polícia na apuração inicial do caso.
  2. Vazamento de Dados: O órgão apura quem vazou informações sigilosas sobre o adolescente investigado.
  3. Monetização de Mentiras: O CyberGAECO dará suporte para investigar perfis e pessoas que lucraram com a disseminação de notícias falsas e acusações sem provas nas redes sociais.

A conclusão do caso encerra um período de forte comoção social em Florianópolis, transferindo o foco agora para a responsabilização de quem promoveu o “tribunal da internet” com base em informações inverídicas.

Lucas Bellinello

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