Deputado compara governador em exercício a Abilio Brunini e questiona salto de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões na construção de estações
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) rebateu, nesta quarta-feira (15), as recentes declarações do governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos). O parlamentar classificou as falas como uma tentativa de desviar o foco do atraso crônico e das suspeitas de superfaturamento nas obras do Bus Rapid Transit (BRT), em Cuiabá e Várzea Grande.
O embate político ganhou força após o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, abandonar uma audiência pública na Assembleia Legislativa na última segunda-feira (13), alegando problemas de saúde e risco de infarto.
Pivetta justificou o episódio afirmando que o secretário teve uma “reação emocional” para não expor esquemas do antigo VLT que, supostamente, teriam beneficiado campanhas do petista no passado. Lúdio, por sua vez, rejeitou as acusações e garantiu que não vai se desgastar com provocações políticas.
“Armadilha” e críticas à gestão
“Bom, eu não vou cair nessa armadilha. O que nós precisamos é debater o problema da obra atrasada do BRT, que está sacrificando a população”, declarou o parlamentar.
O deputado subiu o tom contra o governador em exercício, comparando sua postura à do prefeito de Cuiabá. “O Pivetta está cada dia mais parecido com o Abílio. É o mesmo tipo de comportamento de desviar a atenção para a incompetência dele como governador em relação ao BRT. É inaceitável”, disparou.
Lúdio lembrou as promessas de campanha da atual gestão:
- 2018: Mauro Mendes foi eleito com o compromisso de resolver o problema da mobilidade.
- 2020: O Governo anunciou a mudança do modal (de VLT para BRT) com a promessa de entrega até dezembro de 2022.
- 2023: As obras efetivamente começaram. Atualmente, há cerca de meio bilhão de reais contratados apenas para o Trecho 1.
O salto nos custos das estações
A principal denúncia levantada pelo petista envolve o aumento expressivo nos custos para a construção das estações de embarque do BRT sob regime de dispensa de licitação.
- Edital original: Estimativa de R$ 68 milhões para a construção de 77 estações.
- Dois meses depois: O valor saltou para R$ 120 milhões para o mesmo projeto.
- Custo unitário: O deputado aponta que cada estação custará, no mínimo, R$ 1,5 milhão.
Lúdio criticou a justificativa da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), que atribuiu o reajuste a detalhes como a espessura de vidros e modelos de ar-condicionado. Ele também questionou a legalidade da dispensa de licitação por emergência, lembrando que a lei exige que a obra seja executada em até um ano em casos emergenciais, o que não ocorreu.
Ação Popular e “fuga” do debate
Diante dos apontamentos, o deputado confirmou que levará o caso à Justiça. “A partir do resultado da representação externa que nós fizemos ao Tribunal de Contas, nós vamos ajuizar uma ação popular contra o governador do estado, por conta do atraso nas obras do BRT e por conta de suspeitas de superfaturamento na construção das estações”, anunciou.
Lúdio também apresentou um balanço do Trecho 1, ressaltando o descumprimento sucessivo de prazos em pleno final de 2026 e alertando que o atual governo terminará seus oito anos de mandato sem entregar o BRT.
Sobre a possível responsabilização do secretário Marcelo de Oliveira por abandonar o plenário da ALMT, o parlamentar minimizou a questão regimental para manter o foco no problema central.
“Qual a razão para esse nervosismo todo do governador e do secretário? Por que eles fugiram da convocação durante três meses? Por que o secretário fica meia hora na convocação, diz que vai infartar e foge do debate? Quem não tem o que responder, foge. Quem não tem o que responder, desvia o assunto. Quem não tem o que responder, ataca”, concluiu Lúdio.


