O MPF (Ministério Público Federal) saiu em defesa de indígena preso com vários títulos eleitorais no dia da votação de primeiro turno em Mato Grosso. Por meio de um Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais de Cuiabá diz que ao contrário do que foi divulgado na imprensa local e nacional não houve tentativa de fraude por parte do indígena e também negou que hostilidade entre indígenas e integrantes do Exército Brasileiro.
No dia 7 deste mês, foi divulgado que o Exército foi recebido a flechadas em aldeia durante ação para garantia de votos em lugares remotos. “Diferentemente do que foi noticiado, todo o processo eleitoral transcorreu de maneira pacífica e conforme planejado”. O suposto ataque teria ocorrido em Brasnorte (580 km de Cuiabá), envolvendo indígenas da etnia Myky que, pela primeira vez, tiveram votação na própria aldeia. O trabalho conjunto do TRE, do Exército e da Funai viabilizou o exercício do direito político dos indígenas, de forma segura, com adesão de 100% dos eleitores votantes na seção.
Pelo que se apurou a partir dos relatos dos que estavam no local, os preparativos para a votação tiveram início no sábado (5), com a chegada das equipes do TRE/MT e do Exército à aldeia. Por ser uma ocasião festiva, no dia da eleição, vários indígenas compareceram trajando vestimentas e adereços tradicionais, incluindo arcos e flechas, o que acabou assustando alguns integrantes da equipe. Também houve, a pedido dos visitantes, demonstração do uso do arco e flecha por alguns indígenas, mas nenhum ataque ou ameaça aos soldados ou aos servidores da Justiça Eleitoral.
Já sobre a notícia de que um indígena teria sido detido com cerca de 70 títulos eleitorais em Guarantã do Norte (745 km de Cuiabá), apurou-se que, na verdade, foram encontrados apenas 5 títulos em sua posse, além do dele, além de 3 formulários de justificativa de voto já preenchidos. Pelo que foi esclarecido posteriormente, não houve tentativa de fraude.
“O indígena acreditava que poderia justificar os votos daqueles que não puderam se deslocar da aldeia até a cidade, e não votar por eles. Ao chegar na Seção Eleitoral portando 6 títulos, ele acabou não sendo compreendido ao se expressar, causando a situação. Foi realizada audiência de custódia com auxílio de um servidor da Funai, o caso foi esclarecido e indígena foi imediatamente liberado”.


