Médicos cubanos devem permanecer na rede SUS até 25 de dezembro, aponta informação extraoficial. Em Mato Grosso, 132 profissionais distribuídos por 55 municípios devem deixar seus postos no setor de atendimento à atenção básica (USB). A saída dos médicos deve começar na última semana de novembro.
A coordenadora do Programa Mais Médicos, Regina Amorim, não confirma as datas de permanência, mas lamenta que a decisão ocorra intempestivamente. “Por causa da troca de presidente, imaginamos que algo poderia acontecer, mas de forma tão rápida. Todo mundo foi pego de surpresa, e acho difícil que os médicos brasileiros sejam substituídos em pouco tempo”.
Ela afirma que medida anunciada pelo governo federal de lançamento de edital para a convocação de médicos brasileiros para repor o contingente de estrangeiros de saída tenta ser efetiva, mas a preparação da chamada pode levar até três meses, sem levar em conta o tempo de treinamento dos profissionais escolhidos.
“Um edital demora de dois a três meses para ser finalizados, os médicos também devem passar por treinamento, o que leva algum tempo. Temos receio de que não haja tempo para fazer uma substituição paralela à saída”.
O governo anunciou que serão convocados médicos brasileiros para ocupar as vagas dos cubanos, e caso o número de selecionados não alcance ao hoje cadastrados no programa, os médicos brasileiros com formação no exterior deverão ser chamados.
“Eles não vão precisar passar pelo Revalida – prova teórica e prática aplicada a profissionais com formação em instituições estrangeiras -, mas vão passar por treinamento”.
Conforme SES (Secretaria Estadual de Saúde), em Mato Grosso, há 258 vagas para profissionais pelo programa das quais 132 estão ocupadas por médicos cubanos, 39 são brasileiros ligados ao CRM (Conselho Regional de Medicina) e 19 estão em aberto.
O município com mais cubanos na atenção primária é Tangará da Serra (15), além dos distritos de saúde indígena (DSEI) de Cuiabá (11), Xavante (9) e Xingu (6).
Mais cedo nesta sexta (16), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse que o Mais Médicos não será extinto, substituições serão feitas pela decisão de Cuba de encerrar a cooperação. Disse ainda que as exigências apresentadas ao país se devem ao que ele classifica de “situação de trabalho desumano” dos cubanos no Brasil.



