DESTAQUE 3 Política

Mauro Mendes vê pré-candidatura de Flávio Bolsonaro sob “névoa de expectativa negativa”

O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), avaliou nesta quinta-feira (23) que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2026 atravessa um momento de crise estrutural. Para Mendes, o cenário atual cria uma perspectiva desfavorável para o projeto político da direita nacional.

Em entrevista à TV Sorriso, Mendes admitiu que circulam nos bastidores fortes rumores sobre uma possível desistência de Flávio. O senador assumiu o posto de pré-candidato do Partido Liberal após a articulação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília.

“O cenário hoje ainda está muito indefinido. O momento é de análise, existem muitos ruídos e rumores nos bastidores de eventual desistência, muito fogo amigo, fogo inimigo. […] Nesse momento, eu vejo que existe um vácuo de grandes lideranças. O Flávio está tentando se firmar, mas existem muitos rumores nos bastidores e isso criou uma névoa de expectativa não muito positiva”, declarou o ex-governador.

Apesar da ressalva, Mendes destacou que mantém uma percepção negativa da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas pontuou que faltam nomes consolidados para liderar a oposição.

Os reveses da pré-campanha do PL

Flávio Bolsonaro vinha apresentando crescimento nas pesquisas de intenção de voto, mas sofreu dois duros golpes recentes que travaram o avanço de sua pré-campanha:

  • Escândalo com ex-banqueiro: O vazamento de conversas em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do extinto Banco Master. Flávio inicialmente negou conhecer o empresário, mas precisou recuar após a divulgação de áudios comprometedores. A defesa do senador passou a alegar que os recursos solicitados seriam destinados ao financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
  • Racha familiar e político com Michelle: O senador entrou em rota de colisão com sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), principal liderança feminina do partido e elo estratégico com o eleitorado evangélico. A ex-primeira-dama declarou ter sido desrespeitada pelo enteado durante as negociações no Ceará. O atrito ocorreu porque Flávio costurou uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) em troca de apoio presidencial, inviabilizando a candidatura ao Senado de uma aliada apadrinhada por Michelle no estado.

Reflexos nas alianças

O desgaste da chapa já provocou os primeiros reflexos formais nas alianças. Nesta semana, a Federação União Progressista — composta pelo União Brasil (partido de Mauro Mendes) e pelo Progressistas (PP) — decidiu recuar do apoio direto ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. As siglas optaram por declarar neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.

Lucas Bellinello

About Author

Você também pode se interessar

Política

Lista de 164 entidades impedidas de assinar convênios com o governo

Incluídas no Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), elas estão proibidas de assinar novos convênios ou termos
Política

PSDB gasta R$ 250 mil em sistema para votação

O esquema –com dados criptografados, senhas de segurança e núcleos de apoio técnico com 12 agentes espalhados pelas quatro regiões