Opinião Renato Paiva

Cuiabano no Inferno

A palavra da hora é temperatura: aquecimento global, onda de calor do El Niño e abrasadas brigas na política, botando até a Santa no meio. Também há um clima tórrido no STF e TSE, com cheiro de enxofre e de chifre queimado. Para completar, neste começo de primavera, Cuiabá atingiu 43ºC.  

Tento aqui algum refrigério — se me permitem este termo meio pernóstico — com os versos de rima pobre e pé quebrado abaixo:    

Cuiabano no Inferno.

Com seu jeito bonachão

Benedito chega ao inferno,

Co rede nova no mão,

Pra cumprir castigo eterno.

Gostando do clima ameno,

Arma a rede devagar

E com seu jeito sereno

Já começa a balançar.

A cara sugere calma;

Tem no lábio leve riso,

Não parece cumprir pena,

Mas curtir um paraíso.

Logo o diabo, injuriado,

Estranha aquele langor:

“Tu parece bem folgado,

Não tá sentindo calor?”

“Tá muito bom este clima”

Diz alegre o apenado,

Embalando a sua rede,

Tranquilo e refestelado.

E o Diabo renitente

Põe mais lenha na fornalha,

O fogo logo farfalha

Esquentando o penitente.

O Capeta desespera,

Quando fala o Benedito:

“Tá quase que nem Cuiabá,

Melhor, pois não tem mosquito.”

Renato de Paiva Pereira.

Renato Paiva

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Você também pode se interessar

Opinião

Dos Pampas ao Chaco

E, assim, retorno  à querência, campeando recuerdos como diz amúsica da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul.
Opinião

Um caminho para o sucesso

Os ambientes de trabalho estão cheios de “puxa-sacos”, que acreditam que quem nos promove na carreira é o dono do