A palavra da hora é temperatura: aquecimento global, onda de calor do El Niño e abrasadas brigas na política, botando até a Santa no meio. Também há um clima tórrido no STF e TSE, com cheiro de enxofre e de chifre queimado. Para completar, neste começo de primavera, Cuiabá atingiu 43ºC.
Tento aqui algum refrigério — se me permitem este termo meio pernóstico — com os versos de rima pobre e pé quebrado abaixo:
Cuiabano no Inferno.
Com seu jeito bonachão
Benedito chega ao inferno,
Co rede nova no mão,
Pra cumprir castigo eterno.
Gostando do clima ameno,
Arma a rede devagar
E com seu jeito sereno
Já começa a balançar.
A cara sugere calma;
Tem no lábio leve riso,
Não parece cumprir pena,
Mas curtir um paraíso.
Logo o diabo, injuriado,
Estranha aquele langor:
“Tu parece bem folgado,
Não tá sentindo calor?”
“Tá muito bom este clima”
Diz alegre o apenado,
Embalando a sua rede,
Tranquilo e refestelado.
E o Diabo renitente
Põe mais lenha na fornalha,
O fogo logo farfalha
Esquentando o penitente.
O Capeta desespera,
Quando fala o Benedito:
“Tá quase que nem Cuiabá,
Melhor, pois não tem mosquito.”
Renato de Paiva Pereira.

