Nesta semana de abril de 2026, o cenário urbano de Mato Grosso recebeu um “choque de sustentabilidade” vindo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Sob a recomendação da Comissão de Meio Ambiente, o Governo do Estado, liderado por Otaviano Pivetta, tem agora o prazo de 180 dias para apresentar um plano robusto de arborização urbana. A meta é clara: transformar cidades áridas em espaços resilientes ao calor e ao impacto ambiental.
O Diagnóstico do Vazio Verde O documento do TCE expõe uma realidade incômoda: apesar de estar no coração da biodiversidade, a maioria das cidades mato-grossenses carece de planejamento arbóreo. Atualmente, apenas Cuiabá e Sinop possuem iniciativas formais, e a capital é a única a integrar o tema ao seu Plano Diretor. Para reverter esse quadro, o Tribunal estabeleceu obrigações específicas para municípios com mais de 20 mil habitantes, que deverão realizar inventários arbóreos e destinar orçamento próprio para o setor.
Cuiabá no Olho do Furacão A capital mato-grossense, conhecida por suas temperaturas extremas, recebeu um prazo ainda mais apertado: 90 dias. A prefeitura precisará não apenas implementar seu plano, mas também:
- Georreferenciamento: Criar um sistema digital para monitorar cada árvore individualmente.
- Participação Popular: Realizar audiências públicas para validar as intervenções.
- Manejo e Manutenção: Garantir que a árvore plantada sobreviva ao ciclo urbano de podas e obras de infraestrutura.
Diretrizes e Espécies Nativas A recomendação não foca apenas na quantidade, mas na qualidade. O uso de espécies nativas é a prioridade, visando o equilíbrio ecológico e a adaptação ao clima local, evitando problemas clássicos como raízes que destroem calçadas ou galhos que derrubam a fiação elétrica.
“A medida tem caráter orientativo imediato, mas serve de alicerce para futuras sanções administrativas caso o cronograma de 2026 não seja cumprido”, alerta o documento da Corte de Contas.
Com a pressão do TCE, o Governo do Estado precisará definir critérios técnicos para que os municípios acessem recursos públicos destinados ao meio ambiente, criando um ciclo onde a cidade mais verde é também a que recebe mais incentivos. Para o cidadão, a expectativa é de que, em um futuro próximo, o concreto dê lugar à sombra e à melhoria na qualidade do ar.



