Fotos: Ahmad Jarrah / Circuito Mato Grosso
Da Redação: Wellyngton Souza
Com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e agressivo, profissionais que estejam capacitados e aptos para encarar desafios dentro de uma empresa fazem toda diferença.
Por outro lado, conquistar uma vaga tem sido um desafio para os considerados desocupados (que estão em busca de emprego), já que na maioria dos municípios do Estado, a oferta de vagas diminuiu nos primeiros setes meses deste ano em relação ao ano passado.
O Circuito Mato Grosso fez um levantamento sobre os números de vagas disponíveis durante o período de janeiro a julho de 2014 e o mesmo período de 2015, nos municípios polos do Estado.
Segundo dados do Sistema Nacional de Emprego (Sine), cedidos pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas/MT), houve queda de 30% na geração de empregos formais com carteira assinada.
Sorriso foi o município que apresentou a maior queda no número de vagas ofertadas. Com quase 70 mil habitantes e entre as cinco maiores cidades do Estado, a cidade ofereceu 691 vagas de janeiro a julho de 2014. No mesmo período em 2015, esse número caiu para 106 (queda de 84,6%).
A capital mato-grossense ocupa o segundo lugar neste ranking negativo, alcançando uma queda de 31,3% no número de vagas oferecidas em 2015, quando o número de vagas ofertadas foi de 7,9 mil, contra as 11,5 mil ofertadas em 2014.
Ainda na região metropolitana, em Várzea Grande, no ano passado foram 604 oportunidades no mercado de trabalho no primeiro semestre, contra 444 ofertadas esse ano, ou seja, houve redução de 26,4%.
Considerada a quarta maior cidade de Mato Grosso, com aproximadamente 126 mil habitantes, Sinop também registrou queda de 0,5% no número de vagas disponíveis. Em 2014 estiveram à disposição 1961 mil vagas de emprego; já em 2015 o número registrado foi de 1951.
Conhecida nacionalmente pelo excelente desempenho agropecuário, que lhe garante a liderança do ranking de exportações do Estado, Rondonópolis registrou queda de 26% nos empregos ofertados no primeiro semestre, se comparado com o mesmo período do ano passado. Em 2014 a cidade ofertou 2754 vagas; Já em 2015 foram 1893.
Na contramão dos índices apontados pelos municípios citados anteriormente, Sapezal é quase exceção, pois apresentou aumento de 8,9% na oferta de empregos. Nos primeiros sete meses do ano, foram contabilizados 1,8 mil vagas, número superior ao de 2014, em que 1,6 mil empregos estiveram à disposição.
De acordo com a pesquisa divulgada na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados nacionais apontam que o índice de desemprego no País ficou em 8,3%, no segundo trimestre, sendo a maior taxa da série histórica, que teve início em 2012.
Apesar de Mato Grosso ser uma grande potência no agronegócio e de ter sido o 2º maior exportador do agronegócio no mês de junho – conforme o Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (AgroStat), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)- os mato-grossenses enfrentam dificuldades na hora de ingressar no mercado de trabalho.
Procura de oportunidade
No contexto estadual, a taxa de desemprego saltou de 3,9% para 6,2% no segundo trimestre deste ano, se comparado com o mesmo período de 2014, segundo IBGE.
De acordo com o levantamento, das 2,5 milhões de pessoas em idade ativa no Estado, 60% (1,5 milhão de pessoas) encontravam-se ocupadas, entre abril e junho deste ano. Ao passo que 4% encontravam-se desocupadas (procurando trabalho), o que representa 100 mil pessoas.
Essa falta de oportunidade no mercado de trabalho tem criado uma bola de neve para quem precisa arcar com despesas dentro de casa. É o caso da desempregada Delma Castro, 30. Ela conta que possuía nove anos de experiência como auxiliar de serviços gerais com carteira assinada quando residia em Primavera do Leste.
Residindo há um ano em Cuiabá, ela ainda não encontrou emprego. “Está muito complicado. Meu marido é pedreiro e não tem condições de arcar, sozinho, com as despesas da casa”.
Com três filhas para criar, ela afirma ainda que passa por necessidades. “A renda que ele tira não é o suficiente para fazer uma compra que dure um mês, por exemplo”, explica ela, enquanto aguardava atendimento no Sine de Cuiabá.
Outro exemplo é da jovem Mayla Costa, de 24 anos, que também está à procura de uma vaga no mercado de trabalho. A experiência como auxiliar administrativa por dois anos, e cursos profissionalizantes na área de recursos humanos e cobranças, não tem sido o suficiente para conquistar um novo emprego. “Sou graduada em turismo e, mesmo com toda essa bagagem no currículo, não está sendo fácil encontrar emprego. As empresas estão cada dia mais exigentes na hora de contratar”.
Raphael Souza Alencar, de 20, também está à procura de uma oportunidade. Ele possui formação em curso técnico de informática, e também tem encontrado dificuldades. “O que está me ajudando a quitar as dívidas são os freelances. Preciso trabalhar de carteira assinada para garantir meus direitos trabalhistas”, ressalta.
Para a Secretária Adjunta do Trabalho e Emprego do Sine/MT, Ivone Rosset, Mato Grosso está em saldo positivo na geração de empregos no setor de serviço e comércio. “Felizmente temos um saldo positivo e, para o segundo semestre, nossa expectativa é melhorar”.
Ivone ressalta, também, que será realizado, no próximo dia 18, o Feirão do Emprego na sede do Shopping Várzea Grande. “Com a inauguração no final de outubro, temos certeza de que o estabelecimento gerará ótimas oportunidades de trabalho”.
Segundo a Secretária de Desenvolvimento Econômico de Lucas do Rio Verde, Mariza Valcanaia, o município tem mostrado bons resultados na geração de empregos pelo número de pessoas que estão se instalando na cidade. “Venho acompanhando algumas empresas e todas mostraram que se mantém bem financeiramente, mesmo com a crise que o Brasil enfrenta. Os segredos são administração e planejamento”, enfatiza.
Mariza disse não possuir números específicos sobre desemprego na cidade. “Não temos esta estatística. Mas os setores que mais crescem são da indústria e transporte na nossa região. Estamos bem equilibrados com a economia”, afirma.



