Política

Mais um ex-tesoureiro do PT vira réu

O juiz Sérgio Moro abriu ação penal contra o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira e mais 13 alvos da Operação Abismo, 31ª etapa da Lava Jato que investigou o pagamento de propinas nas obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), no Rio. O montante desviado, segundo o Ministério Público Federal, chegou a 2% do valor dos contratos, cerca de R$ 21 milhões.

Ferreira é o terceiro ex-tesoureiro do PT a se tornar réu na Lava Jato. João Vaccari Neto, que lhe sucedeu na função, já foi condenado em outras duas ações penais decorrentes da operação. Delúbio Soares, condenado no mensalão, é réu no processo que apura empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões do Banco Schahin ao PT.

Na ação aceita por Moro, Ferreira é acusado de receber mais de R$ 1 milhão do dinheiro desviado de contratos da Petrobrás relacionados ao centro de pesquisa, reformado para desenvolver tecnologias para a exploração do pré-sal. O ex-tesoureiro está preso preventivamente desde o fim de junho em São Paulo por causa de outra operação, a Custo Brasil, que apura desvios em contrato do Ministério do Planejamento.

Segundo a investigação, o dinheiro foi repassado a Ferreira pelo ex-vereador do PT Alexandre Romano, o Chambinho, que utilizou empresas em seu nome para receber das empreiteiras interessadas no negócio. Parte dos recursos, de acordo com os procuradores, o ex-tesoureiro usou para pagamento de blogs, serviços de internet e para escolas de samba do Rio Grande do Sul.

Além do petista, tornaram-se réus o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS – que negocia delação premiada -, o lobista Adir Assad e o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque, já condenado em outra ação da Lava Jato. Os réus são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e de associação criminosa.

Consórcio

Os procuradores sustentam que o Consórcio Novo Cenpes, formado pelas empreiteiras OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Schahin Engenharia, venceu a licitação de obras de construção para ampliação do centro “mediante ajuste fraudulento de licitação”.

A investigação ainda aponta suspeita de propina de R$ 18 milhões paga à construtora WTorre, que havia apresentado a melhor proposta na licitação, para que se afastasse do certame. Executivos da empresa, porém, não estão entre os denunciados. Segundo os procuradores, eles estão sob investigação.

Também alvo da operação, o empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República para não ser denunciado nesta ação e, por isso, teve o processo suspenso.

O mesmo caso se aplica a Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobrás, e cuja delação embasou as investigações da Lava Jato sobre os devios nas obras do centro de pesquisa da estatal.

Defesas

Procurado, o advogado de Ferreira não respondeu ao contato na noite de segunda-feira, 15. Em depoimento à PF na época de sua prisão, o ex-tesoureiro negou ter recebido dinheiro ilícito e atribuiu os repasses a doações de campanha.

Em nota, a defesa do grupo Schahin afirmou que “está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos”. O advogado Miguel Pereira Neto, que defende Adir Assad, disse que vai se manifestar nos autos. Os representantes da Carioca Engenharia e da OAS não se manifestaram. A reportagem não conseguiu contato com as demais empresas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Política

Lista de 164 entidades impedidas de assinar convênios com o governo

Incluídas no Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), elas estão proibidas de assinar novos convênios ou termos
Política

PSDB gasta R$ 250 mil em sistema para votação

O esquema –com dados criptografados, senhas de segurança e núcleos de apoio técnico com 12 agentes espalhados pelas quatro regiões