Polícia Federal deflagrou em março (17) a Operação Carne Fraca para combater corrupção de agentes públicos federais e crimes contra Saúde Pública. Executivos do frigorífico JBS foram presos. A empresa BRF Brasil também é alvo da operação.
A Justiça mandou bloquear até R$ 1 bilhão dos investigados.O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Segundo a PF, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’.
Em nota, a PF informou que aproximadamente 1100 policiais federais cumpriram 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema.
Segundo os investigadores, as irregularidades noticiadas e relacionadas à empresa Peccin Industrial Ltda. foram confirmadas por Daiane Marcela Maciel, auxiliar de inspeção da empresa entre agosto/2013 e setembro/2014. A Carne Fraca aponta que a auxiliar ‘atestou a existência de diversas irregularidades na empresa, como a utilização de quantidades de carne muito menor do que a necessária na produção de seus produtos, complementados com outras substância, a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças, a ‘maquiagem’ de carnes estragadas com a substância cancerígena ácido ascórbica, carnes sem rotulagem e sem refrigeração, além da falsificação de notas de compra de carne’.
Dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente”, diz a nota da PF.
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba/PR e estão sendo cumpridas em 7 estados federativos: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goias.
O nome da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício. A expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade.
Governador Taques negou que operação pudesse atingir economia de MT
O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que a Operação Carne Fraca, em um curto espaço de tempo, pode prejudicar o mercado de venda da carne do Estado, mas garantiu que este impacto será amenizado por Mato Grosso ser o único estado brasileiro a ter um Instituto da Carne reconhecido mundialmente.
"O Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC) é o sexto a ser criado no mundo, ele trata da rastreabilidade, da certificação do nosso gado bovino. Não é por acaso que o Carrefour, uma grande rede de supermercado, vai comprar carne de Mato Grosso", afirmou Taques.
O chefe do Executivo disse apoiar toda a investigação da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (17/03) e garantiu que o Estado tem trabalhado para garantir a qualidade da carne de Mato Grosso.
Na época, Taques lembrou que nenhum frigorífico de Mato Grosso estaria envolvido e lamentou a generalização.

