A prefeita de Juara (709 km a médio-norte de Cuiabá-MT), Luciane Bezerra (PSB), disse já estar preparada para rebater na Justiça as acusações do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, que disse ter entregue R$ 700 mil a ela, como pagamento de uma dívida do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). De acordo com Nadaf, Luciane sabia que o valor repassado por ele tinha origem ilícita.
A acusação foi feita e é ressaltada por Nadaf desde o ano passado. O valor pago seria oriundo do esquema criminoso que desviou R$ 15,8 milhões dos cofres públicos do Estado por meio de desapropriação fraudulenta investigada na quarta fase da Operação Sodoma.
No início do mês, o agora delator, relatou em depoimento ao juízo da Vara Contra o Crime Organizado da Capital que a então deputada sempre que chegava à Cuiabá, no ano de 2014, o procurava para poder receber a quantia que foi incumbido de pagar pelo ex-chefe do Executivo. Na época ela era deputada estadual.
"O [ex] governador me procurou pra pedir que eu terminasse de pagar uma dívida de R$ 1 milhão pra Luciane Bezerra. Quem fazia antes era o Silvio, mas ela pediu pra mudar. Então, eu entreguei pra ela 700 mil", disse durante a audiência.
Ao negar ter participado de qualquer ato ilícito, Luciane disse ter se colocado a disposição da Justiça. “Meu advogado já protocolou que eu estou à disposição, meu sigilo bancário, tudo. A única coisa que eu tenho que declarar é que eu nunca participei de nenhum ato de corrupção”, disse.
A prefeita se esquivou de responder sobre a tal dívida de Silval Barbosa. “Na verdade estou com tudo pronto para a hora que a Justiça me chamar [para prestar depoimento]. Então, até por precaução dos meus advogados, eles pediram para eu não falar nada além disso e só falar perante a Justiça”, afirmou.
Luciane admitiu ter ido a Casa Civil, no entanto, ao contestar as alegações de Pedro Nadaf sobre a cobrança da dívida de R$ 700 mil, ela ironizou.
“Falar até papagaio fala, né?! Por várias vezes eu fui sim à Casa Civil, mas para tratar de assuntos das demandas do interior, assim como visitei todos os secretários. A Casa Civil, geralmente, tem que ser o primeiro ponto que a gente vai, a primeira secretaria. Mas eu sempre visitava todas as outras também, então quanto a isso acho que ele falou e cabe a ele provar. Quem acusa que tem que provar”, declarou.
Até o momento a socialista ainda não foi chamada para depor.
Sodoma 4
Deflagrada no dia 26 de setembro de 2016, o foco da Operação Sodoma 4 foi o desvio de dinheiro público realizado através de uma das três desapropriações milionárias pagas pelo governo Silval Barbosa, durante o ano de 2014.
Do total supostamente desviado, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) teria lucrado R$ 10 milhões e repassado o dinheiro ao empresário Valdir Piran por meio da empresa SF Assessoria, do empresário e delator Filinto Muller, como pagamento de uma dívida de campanha eleitoral.
Silval Barbosa assumiu a existência da organização criminosa que coordenou durante sua gestão no Governo do Estado, que tinha o propósito de arrecadar recursos para saldar dívidas de campanha adquiridas em sua campanha eleitoral no ano de 2010. Em depoimento à Delegacia Fazendária (Defaz), no dia 1º de junho de 2017, ele afirmou que ficou devendo cerca de R$ 10 milhões ao empresário Valdir Piran – que chegou a ser preso na operação, mas foi posteriormente solto mediante fiança de R$ 12 milhões.
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