O juiz da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Tadeu, tornou réu o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, por participação no caso dos grampos telefônicos. A decisão é desta quarta-feira (31) e acata denúncia do Ministério Público do Estado (MPE).
O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, acusa Taques de “criar uma história” para encobrir validar a interceptação ilegal de pessoas, fraude que teria induzido duas delegadas a investigar os nomes indicados por ele. Na denúncia, o procurador oferece a denúncia por denunciação caluniosa e interceptação ilegal de telefones.
“Recebo a denúncia e o aditamento oferecido pelo procurador-geral da Justiça em face de Paulo Cezar Zamar Taques, por satisfazer os requisitos legais, vez que amparada em indícios de autoria e materialidade”, diz o juiz em decisão.
As pessoas grampeadas são Tatiane Sangalli Padilha, ex-funcionária pública com quem Paulo Taques teve um relacionamento íntimo, e Caroline Mariano, ex-secretária no escritório de advocacia do réu. O número de seus telefones teria sido incluído em lista de pessoas com suspeitas reais de crime.
Arquivamento de ação
Na mesma decisão, o juiz Jorge Tadeu arquivou ações contra as delegadas Alessandra Saturnino e Alana Cardoso, que eram investigadas por envolvimento na operação dos grampos. Elas eram responsáveis pela investigação de Tatiane Sangalli e Caroline Mariano sobre suposto ataque ao então governador Pedro Taques.
Conforme o Ministério Público, a informação sobre o ataque foi repassada por Paulo Taques cujo mandatário supostamente era o ex-bicheiro João Arcanjo. O indício partiria da amizade de Tatiane Sangalli com uma filha de Arcanjo.
O magistrado reconheceu que houve “intrusão” das delegadas com a investigação, como sustentado pelo Ministério Público, mas a atitude não configuraria tipo criminal.
“O procurador-geral da Justiça asseverou que não há dúvida de que as delegadas Alana e Alessandra, realizaram a chamada ‘intrusão’, por mais que tentem justificar em seus depoimentos como a fizeram, a verdade é que o foco da Operação Forti era distinto da Pequi/Querubim já que João Arcanjo Ribeiro, a princípio, não integrava nenhuma organização criminosa, seja o ‘Comando Vermelho’ (CV) ou o ‘Primeiro Comando da Capital (PCC)”.



