Alvo da Operação Gemini, deputado estadual nega envolvimento em venda de sentenças e afirma que cortou contato com desembargador investigado
O deputado estadual Faissal Calil (PL) adotou um tom de serenidade ao deixar sua residência, no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, logo após ser alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF). A ação integra a Operação Gemini, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apura um suposto esquema de negociação e venda de sentenças envolvendo o desembargador afastado Dirceu dos Santos.
Em conversa com a imprensa na porta de casa, o parlamentar negou qualquer tipo de envolvimento em práticas ilícitas e fez questão de desvincular a investigação da sua atuação na Assembleia Legislativa.
“Recebemos a polícia com tranquilidade, não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. É uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Quem não deve não teme, preciso me inteirar mais”, declarou o parlamentar, ressaltando que ainda não teve acesso ao teor completo da decisão judicial, mas que está “pronto para esclarecer os fatos”.
Relação antiga e saldo da operação
Ao ser questionado diretamente sobre o comércio de decisões judiciais que baseia a Operação Gemini, Faissal classificou o suposto envolvimento como inverdade. Para se defender, o deputado destacou pontos sobre o seu passado com o magistrado e detalhou o que foi levado pelos agentes federais de sua casa:
- Vínculo Profissional: Faissal confirmou que trabalhou diretamente com Dirceu dos Santos entre os anos de 2007 e 2008, mas garantiu que o distanciamento foi definitivo. “Desde que virei deputado, perdi todo o contato, simplesmente me afastei.”
- Negócios em Comum: O deputado refutou veementemente a existência de qualquer relação financeira suspeita. “Não tem nenhuma transação minha com ele. Eu sou o mais interessado para que isso seja esclarecido. Pode investigar o que for, eu tô muito tranquilo.”
- Apreensões: Para afastar rumores, o parlamentar frisou que a Polícia Federal apreendeu exclusivamente o seu aparelho celular. Sobre informações de que armas e relógios de luxo teriam sido confiscados na operação, Faissal esclareceu que os itens não lhe pertencem e que possivelmente foram encontrados nos endereços de outros investigados.


