O juiz Murilo Mesquita, da 11ª Vara Militar, acatou alegação de falhas na tornozeleira eletrônica utilizada pelo Coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco feita pela defesa do militar preso em setembro de 2017 por envolvimento no escândalo que ficou conhecido como a “Grampolândia Pantaneira”,
Segundo as informações do diário de justiça eletrônico (DJE), a defesa protocolou o pedido relatando que o equipamento apresentava falhas na recarga da bateria da tornozeleira eletrônica, o que poderia trazer complicações ao réu, e que o mesmo poderia ser acusado de violação no equipamento.
Tendo em vista, a antecipação do réu ao comunicar a falha no equipamento, o magistrado acatou a alegação.
“Com efeito, tendo em vista que o réu se antecipou e comunicou o problema na recarga da bateria da tornozeleira eletrônica, protocolando pedido de providências inclusive em sede de plantão judiciário, acolho a justificativa apresentada pela defesa do acusado, pois, conforme apontado no ofício de fl. 27, o fundamento é idôneo para justificar a falta. Outrossim, cientifique-se o réu acerca da necessidade do estrito cumprimento das medidas cautelares impostas, advertindo-o para que as violações registradas no relatório de fls. 28/31 não mais ocorram”, diz trecho da decisão do juiz.
Há exatamente um ano, dia 11 de outubro de 2017, o ex-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, confirmou a sua participação no esquema dos grampos ilegais investigado pela Polícia Civil. Ele foi ouvido pelos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta, responsáveis pelo inquérito que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O militar e sua esposa, Helen Cristy Lesco, foram presos no dia 27 de setembro do ano passado em decorrência da Operação Esdras, relacionada ao esquema das escutas telefônicas clandestinas. Ele já cumpria prisão domiciliar quando recebeu o segundo mandado de prisão preventiva.
De acordo com as investigações que gerou a primeira prisão, Lesco teria comprado à vista dois equipamentos que podem ser usados para interceptações telefônicas, em maio de 2015, no valor de R$ 24 mil.
A Operação Esdras, deflagrada no dia 27 de setembro de 2017 pela Polícia Civil, teve o objetivo de desarticular um grupo acusado de montar uma estratégia para atrapalhar as investigações relacionadas aos esquema de grampos ilegais no Estado e obter informações que pudessem comprometer o relator do processo no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, para afastá-lo do caso.
Os mandados foram autorizados pelo desembargador Orlando Perri, a pedido da delegada responsável pelo inquérito, Ana Cristina Feldner, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Foram presos à época ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, secretário de Segurança afastado, Rogers Jarbas, e o ex-secretário da Casa Militar, Evandro Lesco.
Outros dois militares também alvos do mandado de prisão preventiva, o sargento João Ricardo Soler e major Michel Ferronato, a mulher de Lesco, Helen Christy Carvalho Dias Lesco, e o empresário José Marilson da Silva, ex-dono da empresa Simples IP que fornecia sistema de segurança sentinela ao Governo.
Ao todo foram oito mandados de prisão, uma condução coercitiva, uma fixação de medidas restritivas e 16 de busca e apreensão. O coronel Lesco segue em prisão domiciliar com monitoramento.
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