A alta rotatividade no mercado de trabalho e a dificuldade para atrair e reter profissionais em Mato Grosso reforçam a necessidade de ampliar os investimentos em habitação, segundo o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel. O tema foi debatido durante uma feira agropecuária realizada em Sorriso (420 quilômetros de Cuiabá).
Durante participação em um painel sobre o Programa Estadual de Habitação, no sábado (25), Rangel defendeu a inclusão da indústria como parceira estratégica dos governos municipal, estadual e federal na construção de soluções habitacionais. Para ele, moradia, mobilidade e qualidade de vida são fatores importantes para garantir a permanência dos trabalhadores nas cidades e fortalecer a competitividade do Estado.
O presidente da Fiemt destacou que Mato Grosso possui a segunda menor taxa de desocupação do país, de 3,1%, cenário que demonstra o aquecimento do mercado de trabalho, mas também evidencia a escassez de mão de obra qualificada. Segundo ele, até 2027, cerca de 179 mil trabalhadores precisarão passar por treinamentos, enquanto outros 31 mil necessitarão de formação profissional inicial.
Outro desafio apontado foi a rotatividade da mão de obra, que alcançou 70,9% em 2025, com permanência ainda menor entre os trabalhadores mais jovens. O Estado também mantém forte crescimento populacional e recebeu mais de 103 mil novos moradores entre 2017 e 2022, registrando o quarto maior saldo migratório do país. Ao mesmo tempo, o déficit habitacional supera 165 mil moradias e avançou 37,5% entre 2022 e 2023.
Rangel ressaltou que o salário médio dos trabalhadores da indústria em Mato Grosso é de R$ 2,9 mil, faixa compatível com o público atendido pela Faixa 1 do programa habitacional estadual. Ele também convocou as empresas a participarem de projetos voltados à construção de moradias e citou parcerias firmadas por JBS e União Avícola com o Governo de Mato Grosso para a construção de cerca de 2,9 mil unidades destinadas aos trabalhadores. Segundo o presidente da Fiemt, iniciativas que envolvem a cessão de terrenos e até o auxílio no pagamento das parcelas podem contribuir para reduzir a rotatividade e manter a mão de obra nas regiões onde as indústrias estão instaladas.

