Cerca de R$ 30 milhões em bens e ativos financeiros foram bloqueados por decisão liminar obtida pela 6ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá – Defesa do Consumidor, em Ação Civil Pública (ACP) contra empresas e pessoas físicas ligadas à Metaverso Investimento. O grupo é acusado de captação irregular de recursos, promessa de rendimentos irreais, prática de pirâmide financeira e outras ilegalidades. A medida visa evitar a dissipação do patrimônio e garantir eventual ressarcimento aos consumidores prejudicados.
O bloqueio será efetivado por meio dos sistemas Sisbajud, para atingir contas bancárias, aplicações e investimentos; Renajud, para restrição de veículos; e CNIB, para imóveis. A decisão também determina a expedição de ofícios ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Superintendência de Seguros Privados (Susep), a fim de localizar e bloquear outros ativos eventualmente existentes, como previdência privada, títulos de capitalização e valores mobiliários.
A liminar ainda suspende as ações individuais relacionadas ao caso, em observância ao Tema 60 do STJ, com o objetivo de assegurar tratamento uniforme à controvérsia. A ACP foi ajuizada contra Metaverso Assessor de Investimentos Ltda., Multiverso Digital Ltda., Meta Pay Instituição de Pagamento Ltda., Metaverso Soluções Digitais Ltda., Prosper Safe Ltda., Bispo Investiments Ltda., além dos sócios e envolvidos Alan Augusto Pires Costa, Jonathan Rosa Vieira Bispo e Lucas Marinho Maia.
Segundo a promotora de Justiça Valnice Silva dos Santos, o grupo atraía investidores com promessas de rendimentos fixos entre 5% e 10% ao mês e retorno anual superior a 134%. A empresa responsável pela captação se apresentava como atuante há 18 anos no mercado financeiro, embora tenha sido constituída apenas em 2023. Os investimentos eram ofertados principalmente por meio de WhatsApp e Telegram, enquanto a formalização ocorria por outra empresa do conglomerado, o que gerava confusão sobre as responsabilidades contratuais.
A partir de 2024, investidores passaram a relatar atrasos e dificuldades para resgatar valores aplicados. Os responsáveis atribuíram os problemas a um suposto bloqueio do Banco BTG Pactual, versão negada pela instituição financeira. O caso resultou na Operação “Rede de Mentiras”, deflagrada em setembro de 2025, que levou à prisão preventiva de Jonathan Rosa Vieira Bispo. O prejuízo estimado supera R$ 21 milhões, e a ação tramita em segredo de justiça por envolver dados pessoais das vítimas.
