O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta terça-feira, em São Paulo, o programa Move Aplicativos. A nova linha de crédito é voltada ao financiamento de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, contando com subsídio do governo federal, juros reduzidos e um orçamento robusto de até R$ 30 bilhões.
Operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa permitirá o financiamento de automóveis com valor de até R$ 150 mil.
Foco em eficiência energética e critérios de adesão
Para incentivar a sustentabilidade na mobilidade urbana, o governo desenhou a linha de crédito com restrições específicas:
- Combustível: Veículos movidos exclusivamente a gasolina ou diesel não serão contemplados. O foco está na compra de carros com maior eficiência energética.
- Histórico de trabalho: O motorista interessado deverá comprovar uma atividade mínima recente, como a realização de pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses.
O modelo é inspirado no Move Brasil, outro programa lançado neste ano pela gestão federal, mas que é direcionado para a renovação e financiamento facilitado de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Estratégia e ativo político
Nos bastidores do Palácio do Planalto e do PT, a avaliação é de que o Move Aplicativos pode funcionar como uma importante ponte para melhorar a relação de Lula com uma categoria historicamente resistente ao seu eleitorado desde o pleito de 2022. Aliados já se mobilizam para transformar o lançamento em força política. No Rio de Janeiro, por exemplo, lideranças organizaram um evento para transmitir o anúncio oficial em um telão montado próximo ao Sindicato dos Taxistas.
A importância do setor é amparada por números: dados do IBGE apontam que o Brasil registrava mais de 1,7 milhão de trabalhadores de aplicativo no final de 2024, sendo que cerca de 964 mil atuavam especificamente no transporte de passageiros (58,3% do total).
“Pacote de bondades” e entraves na regulamentação
A oposição vem classificando a novidade como parte de um “pacote de bondades” focado em recuperar a popularidade presidencial e pavimentar o caminho para uma eventual campanha de reeleição. Nas últimas semanas, o governo federal acumulou anúncios impactantes, tais como:
- Um novo programa de renegociação de dívidas.
- Ações de contenção contra a alta dos combustíveis e investimentos em segurança.
- O fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50 (a chamada “taxa das blusinhas”).
- Novas linhas de crédito habitacional e reformas pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
Por fim, o Move Aplicativos surge em um momento de estagnação nas negociações para a regulamentação trabalhista da categoria. Embora a criação de uma nova legislação protetiva para os motoristas tenha sido uma das principais promessas de campanha de Lula, a pauta enfrenta forte resistência e entraves políticos. O Palácio do Planalto costurou um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para que a proposta de regulamentação e proteção previdenciária seja colocada em votação apenas após as eleições de outubro.


